Vivia na bela cidade dos patos
Um velho pato que contava fatos
De uma família que criava patos
E de todos havia lindos retratos

Pendurados nas árvores do lago.
Vida boa com água e muito afago,
Cresciam todos com toque de mago
Sem que nada prenunciasse estrago

No modo de vida daquela família
Que primava pelo cuidado e vigília.
Uma manhã veio a menina Emília
Querida filha da nobre família

Com um grande livro em suas mãos
E os patos pensando que eram grãos
Chegaram todos invadindo os vãos
Da ponte que tinha um belo brasão

Esculpido em madeira e folha de latão.
Depois de dar aos patos migalhas de pão
Diz Emília sorrindo: Agora vamos à ação
De aprender multiplicação, adição e divisão,

Porque todo pato tem a obrigação saber
Para que na vida não tenha que perder
Oportunidades e a grande luta vencer
Preparando-se para a ignorância combater.

Falando igual a uma nobre professora
Diz Emília: Saibam que não sou amadora
E que em matemática sou uma doutora
Por isso não permito uso de calculadora

Para que digam o resultado desta soma
Dois mais cinco. E a fala ela retoma
Com os patos entendendo o idioma.
Para quê um pato quer diploma?

Perguntou o pato mais velho da turma.
Decepcionada a menina o vestido arruma
Pega o livro e se despede da turma
Que grasnando alegre para o lago ruma.

23/06/18

Maria Hilda de J. Alão