O CÃO PERGUNTA.

Gato, gato, meu querido gato,
Por que corres atrás do rato?

O GATO, DESCONFIADO, RESPONDE.

Não me perguntes, eu não sei.
Isso está dentro de mim
É como um toque de clarim
Ressoando na minha cabeça
Marcando o momento exato
Para que tudo aconteça.

O GATO PERGUNTANDO.

E por que tu, lindo cãozinho,
Fazes pergunta tão difícil
Se mais parecesses um míssil
Correndo atrás deste gato?
Acho que é um desacato
Tal perguntinha fazer
Se tens o mesmo proceder.

O CÃO COM AR DE SUPERIORIDADE

Bem vejo que desconheces
Que numa espécie de quermesse
Um meu antepassado encontrou
Um papel muito importante,
E pediu ao gatinho cativante
Para guardá-lo em sua estante.

E o cão voltou certo dia,
Para retirar o papel e agradecer
Ao amigo gato a gentileza.
Mas para seu desencanto e tristeza
Ouviu do gato de longos bigodes
Que o papel estava com o rato,

Pois ele, gato, precisou viajar,
E a deixar o papel sem cuidador
Ele jamais iria se arriscar.
Partiram para a casa do Antenor
O rato que o papel guardava.
Bateram fortemente na portinha,

Pois nela sineta não havia.
Antenor abriu e sorriu
Ao ver o amigo gato
Olá! Você demorou de fato!
Passe cá pra mim amigo rato
O papel que lhe dei antes da viagem,

Pois como lhe expliquei anteriormente,
O dono do papel é o cão aqui presente.
O rato meio sem jeito declarou,
Que o papel importante evaporou,
Comeu-o quando muita fome sentiu.
Irritado com o gato o cão latiu,

E o gato furioso pra cima do rato partiu.
Foi uma correria muito louca.
O gato, mostrando ao rato os dentes da boca,
Corria para fugir da fúria do cão.
E foi por este acontecimento secular
Que cão, gato e rato não deixam de brigar.

01/04/12

(histórias que contava para o meu neto)
Maria Hilda de Jesus Alão