No imenso terreiro da fazenda São José, Pedrinho, sentado no velho toco de uma goiabeira que havia sido cortada porque secara com a falta de chuva, ouvia encantado as histórias que sua avó lhe contava. Os olhinhos brilhavam de emoção a cada palavra que saía da boca da vovó Júlia. Finalmente a vovó terminou a história do “Soldadinho de Chumbo”. Foi aí que o menino, muito sério, lançou a pergunta:
- Vovó, como nasce uma alma? A minha professora disse que nós somos corpo e alma.
- Ah, meu filho! Isso ninguém sabe, mas eu penso que é assim: Deus cria um raio de luz e dentro dele coloca uma centelha de sua divindade. O raio de luz vai tomando forma brilhando intensamente.
- Centelha, vovó? Que coisa é isto? – perguntou curioso o menino.
- É uma partícula, uma faísca. – respondeu D. Júlia.
- Assim como a que sai da fogueira de São João? – quis saber Pedrinho.
- Isso mesmo, querido. Depois de colocar uma parte de si no raio de luz, Deus lhe dá uma vestimenta branca como o lírio e a chama de Alma. E como Deus tem muitas moradas, esta alma habitará em alguma delas enquanto aguarda o tempo de ganhar uma “casa humana”.  Um corpo. O corpo é a morada onde a alma passará a viver por alguns anos. A alma é imortal e pertence ao Senhor, por isso devemos cuidar bem de sua “casa” evitando drogas, bebidas, fumo e toda espécie de exagero para que a “casa” esteja limpa, saudável, agradável aos olhos de Deus. – concluiu a vovó.
- Então a minha alma está contente, vovó. Eu tomo banho todos os dias, limpo bem as minhas orelhas, não deixo a casa dela suja. – disse o menino rindo ao ver a careta que a avó fez para ele.

05/08/07.

(histórias que contava para o meu neto).  
Maria Hilda de Jesus Alão