Um belo dia, no jardim de dona Aurora,
Seu netinho, Fabrício, brincava há várias horas...
Das seis da manhã até o meio-dia,
Brincar e brincar era o que ele queria.

Gostava, e muito, de soprar bolhas de sabão
E de vê-las subindo e subindo para a imensidão.
Como era divertida aquela brincadeira,
Que ficava ainda melhor com a cachorrinha toupeira.

Além de cavar buracos pelo chão,
Toupeira latia e perseguia as bolhas de sabão.
Era uma festa, tudo muito engraçado,
Toupeira corria com as bolhas para todos os lados!

De repente, uma fada surgiu perto da roseirinha
E quis descansar dentro da rosa menina.
Ela teve de voar do quintal até o jardim,
Borrinfando, de flor em flor, o perfume que não tem fim.

Tão cansada estava, que mal conseguiu perceber...
Pobre fadinha, já estava a adormecer,
Quando uma bolha pousou entre as pétalas da rosinha
E aprisionou, suavemente, a sonolenta fadinha.

Fabrício, que estava perto dali,
Nem podia imaginar algo assim.
Estava se preparando para ir almoçar,
Quando ouviu alguém a chorar.

Toupeira se dirigiu para a roseirinha
E logo encontrou a bolha que desejava estourar.
Mas, ao perceber a triste fadinha,
A cachorra começou a pular.

Fabrício, emocionado com a mágica visão,
Aproximou-se da bolha de sabão.
A fadinha, então, parou de chorar
E pediu a Fabrício que a tirasse de lá.

Fabrício, se lembrando dos contos de fadas,
Do beijo com que o príncipe despertava sua amada,
Resolveu beijar a bolha de sabão
Para libertar a fadinha daquela prisão.

Que cena maravilhosa:
A fadinha dentro da rosa
A dançar alegremente!
Agora, poderia voar livremente.

Fabrício pediu que ela não fosse embora, nem desaparecesse,
Pois desejava conquistar sua amizade, o seu carinho.
E como dentro dele a ternura crescesse,
A fadinha prometeu ficar perto do menino.

E, depois daquele dia, tudo mudou no jardim:
Havia mais flores, mais alegria, mais beleza, enfim...
Tudo por causa de uma linda fada
Que, de dentro de uma bolha, foi libertada!