Era uma manhã gostosa, gelada. Eu a olhava dormir. Aquele rosto lindo, pálido. Acho até que ela estava sonhando, pois por um breve segundo, ela sorriu. E o sorriso dela era ainda mais lindo enquanto dormia.
Eu não cansava de olhá-la.
Senti uma vontade absurda de agarrá-la. Eu a apertei contra meu peito e pude sentir seu cheiro. Ela não usava perfume, mas estava sempre com aquele cheiro natural delicioso, uma mistura de morangos e gargalhadas.
Sim, ela me faz o homem mais feliz do mundo há quase dez anos.
Desviei o olhar dela quando ouvi alguns passos no corredor. A porta abriu. Aqueles olhos cor-de-mel me fitavam cautelosos mas pidões ao mesmo tempo.
- Papai?
Sorri e a chamei com um gesto. Anita veio saltitante em direção à cama, então a peguei no colo.
Nesse mesmo instante, Luiza acordou. Sorriu pra mim e deu um beijo na testa de nossa filha. As duas mulheres da minha vida estavam bem alí. A mulher por quem sou apaixonado há tanto tempo, e que me deu o que tenho de mais precioso: Anita.
E agora eu sinto que poderia ficar aqui para sempre, só para cuidar delas... Minha razão de vida, meus únicos amores. As pessoas pelas quais eu lutaria até o fim, em qualquer situação.