Imortal.

22 de Dezembro de 2011 Ju Alves S Juvenil 799

As noites chegavam, os dias passavam, mas sua beleza continuava intacta. Durante cinqüenta anos ele agia da mesma forma cruel, seu belo par de olhos azuis transmitiam frieza e solidão. Desde aquela noite em que escolhera seu destino ele era tomado de maldade. Antes disso, costumava ser uma boa pessoa, com um coração puro. Agora parecia haver uma pedra no lugar dele. Ficou culpando a si mesmo pela idiotice que tinha feito. Tinha estragado sua vida, apenas para viver para sempre. Pensou que seria mais feliz, mas acabou se revoltando contra o mundo. Depois de tanto tentar a felicidade sem sucesso, acabou desistindo. Seus familiares e amigos foram morrendo e ele nem envelhecia.
A garota que ele amou não o amava, e ao saber de seu segredo o achou uma aberração. Ele sempre lutava para fazê-la amá-lo, mas tudo foi em vão. Cecily não era o tipo de pessoa que só ligava para a beleza. E ele a achava especial. Até que ela começou a adoecer jovem. Tinha 26 anos quando veio a falecer enquanto ele ficava preso nos 18. E ele ficou com o coração doendo por todos esses anos. Durante muito tempo sua eternidade ficou sem rumo. Enfim ele encontrou uma maneira ruim de divertimento, que só o divertia. Ele fazia das diversas garotas de Nova York suas vítimas. Elas se encantavam por ele e acreditavam em todas suas mentiras, além de fazerem suas vontades. Depois de conquistá-las, ele as agredia e as ameaçava, então elas não contavam a ninguém de sua existência. Ele sempre as seguia até suas casas onde contavam aos pais e amigos diferentes motivos do porque estarem machucadas. Nessas garotas ele descontava sua raiva por Cecily nunca tê-lo amado. E depois ele chorava ao lembrar-se dela e ia visitar seu túmulo, com suas rosas preferidas. ‘Se você tivesse me amado’, dizia ele ao túmulo, ‘Eu teria momentos de felicidade em minha vida. Você devia ter me amado, Cecily’. E jogava as rosas vermelhas que já infestavam o local. Ia embora dando uma última olhada em sua foto, onde ela sorria o sorriso que ele tanto conhecia e amava.
Certa noite ele foi a um restaurante. Enquanto jantava ele viu uma garota muito parecida com Cecily entrar e sentar sozinha em uma mesa. Normalmente o hábito de encantar pessoas era ele, mas nessa noite foi diferente. Era ele que se encantara pela garota e por sua semelhança com Cecily. Parou de comer para observá-la e percebeu que se sorriso não era tão semelhante com de Cecily, porém o encantava da mesma forma.
Ele precisava dela, a desejava de um jeito que ele não imaginou desejar alguém a não ser Cecily. Terminou de jantar e ficou na porta do restaurante a sua espera. Seguiria o roteiro de sempre, mas prometera a si mesmo que não a agrediria. Assim que ela saiu do restaurante, ele começou a puxar assunto com ela e os dois começaram a andar e conversar pelo Central Park. Ele estava fascinado por ela, descobriu que seu nome era Jessica entre outras coisas. Ele também contou um pouco de sua vida tirando a parte da eternidade, é claro. Com Jessica, ele sentiu-se bem de uma forma que não ficava há muito tempo, Ela conseguiu fazê-lo sorrir com sinceridade diferente das garotas que ele brincava, e isso fez ele surpreende-se consigo mesmo. Eles sentaram um pouco no parque e percebendo sua seriedade, ela perguntou o porquê disso. Ele apenas respondeu que estava pensando se seria adequado chamá-la para assistir a um filme em sua casa. Ela disse que seria ótimo e eles foram para sua grande casa. Quando entraram, ela elogiou sua estranha decoração que constituía de paredes preta e branca e móveis caros. Ele foi fazer pipoca, enquanto ela escolhia um de seus vários filmes. Escolheu um de suspense e ele ficou surpreso. Até nisso ela se assemelhava a Cecily! Começaram a ver o filme. No meio dele, Jessica adormeceu em seus braços. Sorriu ao perceber que essa noite não foi só mais uma noite vazia e solitária. Agora ele tinha Jessica e já gostava muito dela. Gostava de alguém desde a morte de Cecily. Talvez a semelhança entre as duas ajudasse, mas ele sentia que Jessica era especial e não queria fazer dela só mais uma vítima. O filme acabou e quando ele estava levando-a para o quarto de hóspedes, ela acordou. ‘Eric? O que esta fazendo aqui?’ perguntou confusa. ‘Você adormeceu vendo o filme. Estou te levando ao quarto de hóspedes’, explicou ele, colocando-a na cama. Ela sentou sorrindo e agradeceu. Perguntou que horas eram, ao ver que eram duas da manhã, ela levantou rápido. ‘Não avisei meus pais que ia dormir fora, preciso ir. Obrigada pela ótima noite, Eric. ’, disse ela sorrindo. Ele ficou muito decepcionado. Não queria de jeito nenhum que ela fosse. Tinham acabado de se conhecer, ele precisava saber mais sobre ela e precisava de sua companhia. Mas ela talvez não desse a mínima para os sentimentos dele. Talvez ela não fosse especial, era só mais uma garota fútil, como suas vítimas. E por isso ela merecia ser sua vítima. Ele ficou com raiva e Jessica pareceu perceber já que sua expressão antes alegre estava agora confusa. Eric sem pensar muito, levantou o braço com a mão aberta para dar um tapa no rosto de Jessica. Ela gritou ao ver o que ele ia fazer, mas não chegou a sentir dor alguma, porque a mão de Eric parou a poucos centímetros de seu rosto. Tremeu de remorso ao se dar conta do que ia fazer e desistiu antes que fosse tarde demais. Ela o encarou, e ele se encheu de tristeza ao ver que seus olhos brilhavam com o mesmo horror dos olhos de Cecily quando ele conseguira convencê-la de sua imortalidade. Ficaram uns poucos segundos em silêncio, tempo suficiente para lágrimas brotarem em seus olhos. Desabou na poltrona com as mãos no rosto enquanto elas caiam. Sentia-se triste e com uma enorme culpa. Jessica ainda estava ali só vendo sua reação sem saber o que fazer ou o que falar. Ele só queria abraçá-la e implorar suas desculpas, mas não sabia como fazer isso. Jessica pegou uma caneta e um papel e anotou seu telefone. ‘Seja qual for seu problema’, disse ela, ‘Me ligue quando estiver mais calmo. ’ Dizendo isso, foi embora.
Eric sentiu mais remorso ainda, porque Jessica era mesmo especial. Ela não merecia ser sua vítima e ele não merecia sua compreensão. Teve a chance de finalmente ser feliz e quase acabou com ela. Mas quando olhou o papel com o número de Jessica, ele concluiu que mesmo com sua eternidade sendo infeliz, ele tinha sorte por ter encontrado Jessica. Era como se Cecily tivesse ressuscitado e conseqüentemente o amor ressurgiu em seu coração de pedra.
No dia seguinte ele ligou para ela, e eles combinaram de se encontrar no Central Park. Viu ela sentada no banco distraída, enquanto o sol se punha atrás dela. Jessica olhou para ele que chegava perto envergonhado.
‘Oi’, disse ela. Não aparentava raiva, e sim desdém.
‘Oi Jessica.’, disse ele e sentou ao seu lado. ‘Eu quero me desculpar por ontem. Eu nunca tive intenção de machucá-la, não sei o que deu em mim.’
Jessica sentiu sinceridade e culpa em sua voz. Resolveu desculpá-lo e perguntou porque tinha pensado em fazer aquilo.
‘Eu senti raiva e não consegui me controlar. Mas eu prometo que isso não irá mais acontecer. ’, respondeu ele.
‘Vou acreditar em você, Eric. Você é um cara legal e não vou deixar um deslize acabar com a nossa futura amizade’, disse ela sorrindo o que fez seu coração bater mais forte,e ele sorrir também.
Resolveram ir à Starbucks, e depois de pegarem um café foram para baixo de uma árvore do parque. Ficaram um tempo em silêncio, até que Jessica resolveu quebrá-lo.
‘Eric?’, chamou ela, já que ele parecia distraído.
‘Sim, Jess’?
‘Ontem no restaurante, porque você estava sozinho?’. Ele pareceu pensativo, antes de respondê-la.
‘Não tenho outros amigos. ’ Ela sentiu pena dele e chegou mais perto colocando a cabeça em seu ombro. Ele sentiu seu corpo se arrepiar com aquele gesto de afeto, pois não tinha isso há muitos anos. Colocou o braço em volta dos ombros dela e perguntou.
‘E você, estava sozinha por quê?’
‘Tenho amigos, mas às vezes prefiro simplesmente ficar sozinha.
Ele assentiu sem dizer nada. Jessica era especial em todos os sentidos, e ele queria ficar com ela e queria que fizesse parte de sua eternidade para fazê-lo feliz. Sabia que um dia ia perdê-la para a morte ou até para a própria vida, mas no momento nada disso importava desde que ela o amasse.
Terminaram o dia andando pelo Central Park, o novo local de encontro deles, conversando e rindo como velhos amigos. Eric adorava fazê-la rir, pois a achava linda rindo e ele não cansava de admirá-la. Jessica parecia ficar constantemente hipnotizada com os olhos grandes e azuis de Eric, além de sua beleza e seu incrível ar de mistério, que a conquistava mais a cada dia em que eles passavam juntos. Em um desses dias, Eric contou de Cecily e pela primeira vez desde a morte de seu primeiro amor, ele não sentiu dor e nem uma enorme tristeza. Foi como se não tivesse mais motivos para lamentar o antigo amor não correspondido agora que tinha Jess. Mesmo não sabendo se ela o amava, ficava feliz só de tê-la em sua vida.
Outra coisa que mudou foi o fato dele parar de brincar com as garotas. Sentia-se mal ao se lembrar de quando quase agrediu Jess e com isso prometera nunca mais agredir ninguém por divertimento. Ele tinha que ser um bom garoto, merecedor de felicidade.
Ele e Jess já eram amigos há dois meses e ele já não se contentava apenas com sua amizade, mas não queria estragar tudo e mantinha seus sentimentos em segredo.
Era mais uma tarde no Central Park, mas este estava chuvoso e eles estavam com um grande guarda-chuva embaixo de uma árvore. Eric ficou pensando em como agora era mais fácil pensar em Cecily sem sentir mal, e sabia que isso se devia a Jess.
´Sabe Jess, começou ele, Antes de te conhecer era difícil falar de Cecily sem sentir tristeza. Ele olhou para ela que sorria. ‘ E eu te agradeço. ’
‘Eu fico feliz em te ajudar. Mas como eu exatamente consegui isso’?
Seus rostos estavam muito próximos, tanto que Eric podia sentir a respiração de jess um pouco ofegante , e ela ficava nervosa de estar tão perto dele.
De repente ele sentiu que não importava se ele fosse se arrepender mais tarde, se ele estragaria tudo o que tinha conseguido com ela até agora, ele só queria que ela soubesse de seu amor e que ele estaria sempre ao seu lado.
‘Você me fez te amar. ’, respondeu ele calmamente olhando em seus bonitos olhos castanhos. Não falaram nada por um curto tempo, até que Eric preencheu o pouco espaço que havia entre eles beijando-a. Jess retribuiu o beijo, ela também o amava e esperava por isso tanto quanto ele.

Os meses passavam e Eric e Jess estavam muito apaixonados. Eric conseguiu pela primeira vez em muito tempo ser feliz e amar alguém verdadeiramente. De vez em quando ele ia com ela visitar o túmulo de Cecily, já que era como uma tradição para ele. Só que ele nunca mais ficou triste e chorou pela antiga amada. Várias vezes ele viu Cecily em Jess, e imaginou se elas pudessem ser a mesma pessoa. Mas logo afastava esses pensamentos, nunca foi o tipo de pessoa que acreditava em mitos.
Mesmo muito feliz com Jess, nos últimos meses ele andava preocupado, afinal teria de contar a ela mais cedo ou mais tarde sobre sua imortalidade, caso ele não contasse uma hora ela ia acabar percebendo algo errado. Ele tinha medo de perdê-la, tinha medo de que ela tivesse a mesma reação de Cecily, não queria vivenciar a mesma terrível cena duas vezes, mas resolveu contar.
Uma noite de sexta, ela foi até sua casa, e lá pediram pizza, algo que estavam acostumados a fazer. Jess estava no último ano do colégio, mas depois de estudar um pouco a tarde eles se encontravam. Depois de comerem pizza foram para o quarto dele e assistiam a um programa qualquer. Jess deitada em seu colo reclamava do cansaço do colégio e dizia que ele tinha sorte por já ter terminado os estudos e não fazer faculdade, pois era essa a história que ele contara. E como Eric veio de uma família muito rica, não precisava se preocupar com trabalho. Conversavam sobre o dia de Jess, entre outras coisas. Ficaram um pouco em silêncio até que ele diz
‘Jess, preciso conversar com você,é uma coisa séria. ’. Ele desligou a televisão e olhou para ela sério. Ela ficou preocupada e perguntou
‘Eu fiz alguma coisa de errado’?
‘Claro que não, amor. ’ Respondeu ele com um sorriso timido, ‘É um segredo da minha vida que eu não te contei e não posso adiar mais’.
‘O que é? Pode me contar, eu não ficarei chateada seja lá o que for, prometo. ’ Disse ela sorrindo tranquilamente.
Ficaram um pouco em silêncio. Jess olhava para ele que olhava para baixo, se perguntando como podia começar a contar uma história tão absurda como a dele.
‘Bem, como você sabe meus familiares morreram. Mas não foi em um acidente, todos morreram de velhice. ’ Disse ele, a lembrança de sua família percorrendo a memória.
Ela pareceu confusa, mas não o interrompeu.
‘Eu tinha um tio que era feiticeiro. Eu sei o quanto isso pode ser fantasioso, mas acredite, ele conseguia fazer coisas poderosas. Ele tinha um líquido único guardado em uma garrafa e esse líquido podia fazer a pessoa que o tomasse viver para sempre sem envelhecer. Na época em que soube disso, eu quis tomar esse líquido, achando que poderia viver para sempre feliz. E foi o que fiz, mas teve conseqüências muito ruins e eu passei todos esses anos infeliz até te encontrar. ’
Jess não sabia o que dizer. Pensou que Eric estava brincando, mas ao ver sua séria expressão ela constatou que ele falava sério. Era uma coisa muito difícil de acreditar, parecia um filme , mas era apenas a vida de Eric, do seu primeiro e único amor. Ele olhou para ela sentada ao seu lado, e ela encostou a cabeça em seu ombro e disse
‘Lamento que você tenha ficado infeliz por todo esse tempo. Mas nada disso importa mais. Eu estou aqui, e eu te amo. ’
‘Eu também te amo. E você é a minha salvadora. ’, disse ele a beijando em seguida. O beijo foi ficando mais intenso e mais apaixonado a cada segundo, e eles pareciam não precisar de ar, desde que seus lábios estivessem juntos, eles estavam bem. Começaram a ser levados pelo desejo e pelo amor e começaram a tirar suas roupas ,luz fraca no quarto. Aquela foi à primeira noite em que passaram juntos, a primeira de muitas que passariam se entregando ao grande amor que ambos sentiam um pelo outro.
Sete anos se passaram e eles continuavam juntos. Muitas coisas haviam acontecido na vida de Jess, ela conseguirá se formar na escola e cursava faculdade de moda. Levavam uma vida feliz e conseguiam esquecer o fato da imortalidade de Eric. Jess estava com vinte e cinco anos, não tinha envelhecido muito fisicamente, mas tinha amadurecido como pessoa. Porém ela já aparentava ser mais velha que Eric desde seus vinte e três anos, e isso preocupava a ambos. Ela queria que ele achasse um jeito dela poder ser imortal também, pois queria ficar com ele para sempre. Porém ele desconversava, dizendo que nunca desejaria esse castigo a ela. Chegou um dia em que ele levou Jess até a faculdade e ficou observando , Mesmo um pouco mais velha, ela continuava bonita, mas ele se preocupava, pois teriam que dar um fim em seu relacionamento em breve. A antiga dor que atravessava seu coração voltou com a sensação de perder Jess para sempre. Ele sabia que um dia teria que dizer adeus, e deixá-la viver como uma pessoa normal, só não gostava de pensar nisso, mas agora não tinha mais como evitar. Não sabia como viver sem Jess, mas não tinha escolha. Se ele continuasse com ela, de qualquer jeito eles seriam separados pelo mesmo destino que os uniu, não adiantavam adiar a dor e a tristeza, uma hora elas iam invadi-lo para sempre. Na última semana em que passavam juntos, Jess percebeu que mesmo Eric disfarçando estava mais triste. Também estava mais dependente dela, como se fossem seus últimos momentos, o que era verdade. Ela não podia suportar pensar em viver sem ele, então expulsava esses pensamentos ruins.
Eles lembrariam para sempre daquela tarde nublada que marcou o resto de suas vidas. O dia mais triste e mais cruel que alguém podia passar. Jess não merecia isso. Talvez Eric merecesse por escolher mal seu destino. Bem, o fato é que eles estavam sentados naquela mesma árvore do Central Park, aonde ia sempre, e onde Eric disse que amava Jess. Eric sabia que aquela era seu último dia com Jess, e por isso a abraçava forte. Prometera que não choraria que tinha que ser forte, mas como qualquer pessoa que é capaz de amar ele era fraco quando assunto era amor. Não sabia como seria a despedida, não sabia o que falaria a Jess. Deixou uma lágrima escapar de seus olhos, e agradeceu por Jess estar distraída e não ver. Porém ela olhou para ele e perguntou preocupada, enxugando sua lágrima
‘O que foi meu amor? Aconteceu alguma coisa?
Ele deu um meio sorriso e respondeu
‘Obrigado por tudo. Eu sempre vou amar você, não importa se estaremos juntos ou separados, você sempre estará comigo. Você foi à melhor coisa que aconteceu na minha vida. Obrigado por me dar momentos de felicidade.
Jess também chorava. Ela abraçou Eric e disse
‘Não tem mesmo outra solução, meu amor? Será mesmo que nós temos que sofrer desse jeito?’
‘Eu não queria fazê-la sofrer. ’ Disse ele chorando cada vez mais, porque a despedida deles chegava ao fim.
‘Você não me fez sofrer. Eu te amo muito, como será minha vida sem você?’
‘Eu não sei Jess.’ Eu também te amo muito.’ Ficaram o resto da tarde só abraçados em silêncio a não ser pelo barulho do choro de ambos que não cessava. A noite foi chegando e eles levantaram. Eric disse
‘Me promete que tentará ser feliz?’ disse ele com o rosto molhado pelas lágrimas.
‘Prometo que vou tentar’. Disse ela, chorando mais.
Eles foram andando pelo Central Park, onde para eles era o melhor lugar do mundo e onde Jess, não conseguiria ir mais por muito tempo. Chegaram perto da casa de Jess, e a despedida chegara ao fim. Começaram a chorar mais e Jess o abraçou. Ele enxugou suas lágrimas e a beijou. Um beijo de despedida.
_Um dia, não importa onde, mesmo que não seja aqui, mesmo que não seja nesse tempo, nós vamos nos encontrar. Isso não é uma despedida completa Jess. Nosso amor é forte demais para parar por aqui.
Ela concordou e tirando o seu colar de coração, ela deu a Eric, para ele levar ela sempre com ele. E ele lhe deu um cordão com um elemento da sorte. A cada minuto que passava era pior e era hora dele ir. Para sempre.
‘Adeus, Jess. ’ Disse ele afastando suas mãos e partindo de sua vida para sempre.

Quinze anos se passaram. Desde o dia em deixara o seu amor, sua eternidade voltou a ser o pesadelo que era antes de conhecer Jess. Vivia em uma profunda depressão, sempre se lembrava dela, e dos momentos que passaram juntos. Mesmo assim, ele tentava se confortar com o fato de que com Jess ele foi feliz por um tempo. Ele havia estragado sua vida se tornando imortal, e como castigo ele nunca seria feliz para sempre. Desejava morrer, mas nada adiantaria. Era obrigado a viver com a tristeza e a saudade da única garota que o fez feliz. Certo dia, ele resolveu voltar a Nova York, para saber se Jess estava bem. Provavelmente ela estaria casada e com filhos, mas ele precisava ver. Para sua surpresa e tristeza soube que ela havia falecido há uma semana. Morreu de uma depressão que permanecia a muitos anos, e a causa dessa depressão foi o amor proibido entre eles. Mesmo não convivendo com ela a muitos anos, ele nunca deixou de amar e pelo visto ela também nunca deixou de amá-lo. E agora sabendo de sua morte, ele sentiu-se mais triste do que poderia agüentar. Chorou sua morte, e foi até o cemitério, o mesmo onde permanecia o túmulo de Cecily, agora estava o de Jess. Ele estava perdendo o seu amor mais uma vez, mas ao contrário de Cecily, Jess o fez feliz. Mais do que isso, ela fez ele se tornar uma pessoa descente, mesmo sendo uma aberração. Jess foi como um anjo na vida de Eric, e ele sempre se lembraria dela com amor e a saudade permaneceria para sempre. Levou um buque de girassóis ao seu túmulo, suas flores preferidas. Chorou ao ver sua foto, mais velha, porém ainda bonita e instantaneamente apertou o colar de coração em que ele guardava no bolso. Observou que havia um papel preso embaixo do porta-retrato. Chegou mais perto e viu que estava escrito: ‘Para Eric. ’ Surpreso, ele pegou o papel e com o coração batendo forte, abriu e começou a ler. Logo reconheceu a letra dela:
'Eu sabia que você viria. Você nunca me decepcionou, meu amor. Nem quando me deixou, porque eu sei que aquilo foi necessário. Todos esses anos eu tentei cumprir a sua promessa de viver feliz para sempre. Eu juro que tentei, mas não consegui. Os momentos mais bonitos e felizes que eu tive foram com você. Eu nunca deixei de te amar, e se você esta ai lendo esse bilhete, eu também acho que você não. Naquela noite você me disse que não importava onde estivéssemos um dia iríamos nos encontrar lembra? Estou contando com isso. Eu te amo. Beijos, Jess.'
Enxugando as lágrimas, ele dobrou o papel e guardou no bolso junto com o colar de Jess. Com uma última olhada em seu túmulo ele foi embora levando com ele a dor, a saudade e a esperança de que o que ele disse naquela última noite pudesse vir a acontecer. Não importa o quanto tempo levaria para tê-la junto a ele, ele esperaria. Porque o amor é feito de sacrifícios.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem permissão do autor.

Leia também
PAU DE FITAS há 3 horas

PAU DE FITAS Dançam as raparigas cá em roda D'um mastro d'onde fitas ...
ricardoc Sonetos 4


PAU DE FITAS há 3 horas

PAU DE FITAS Dançam as raparigas cá em roda D'um mastro d'onde fitas ...
ricardoc Sonetos 3


Falta de Amor ao Próximo há 7 horas

A razão de viver é amar... Mas a maioria das pessoas vive o amor ao din...
a_j_cardiais Poesias 29


Amor a Deus x Amor ao Mundo há 8 horas

Nos dias do autor não havia automóveis como os luxuosos que existem em no...
kuryos Artigos 8


A Origem e a Razão de Ser de Tudo há 13 horas

Deus não criou todas as coisas para depois intentar formar uma Igreja. Ao...
kuryos Artigos 16


ETERNAL (rondó) há 1 dia

ETERNAL (rondó) Não o poeta, sim a poesia Em cada verso haveria- De ...
ricardoc Poesias 8