" À medida que me escondo, penetrando a floresta, me perco na escuridão. É quase impossível enxergar um palmo à minha frente, mas continuo a me esconder, tateando os galhos das árvores contra os quais me colido repetidas vezes, começando a me ferir.


A única iluminação provém do céu, no entanto a copa das árvores a impede de chegar até mim, e prossigo no meu caminho incerto. O que eu estou fazendo aqui? Eu me pergunto começando a chorar quando o desespero se torna minha única companhia e certeza. Abraçando-me contra o frio, tropeço nas pedras e nas raízes das árvores, indagando como nenhum guarda ainda me ouviu.


Está difícil até mesmo me encontrar nessa floresta. Meus pés continuam involuntariamente seu caminho para lugar nenhum, me fazendo perder o equilíbrio a cada mínima irregularidade do solo, me restando apenas lamentar minha triste condição, enquanto o ar começa a me faltar. Mesmo que eu ao menos soubesse onde estou e minha distância para a mansão, sei que seria impossível invadi-la com todos os guardas armados. Acho que finalmente enlouqueci. Essa idéia me conforta, uma vez que pelo menos minha insanidade amenizará o vazio da minha morte, a qual parece cada vez mais próxima, com as mais variadas possibilidades. Um abismo ou um animal selvagem no meio da floresta, algum guarda, o cansaço que começa a invadir meu corpo ou até mesmo fome.


Percebo que não conseguirei salvar Dan, se é que ele ainda está vivo, e que nunca houve a mínima possibilidade de isso acontecer. Ele morrerá em vão, tendo se sacrificado por algum motivo desconhecido para me salvar. E agora eu me entrego à morte sem titubear. Os meus mesmos erros se repetem, minhas idéias e intenções distorcidas de fazer o certo e tentar ajudar sempre me levando a sacrificar a felicidade e a vida de outras pessoas. "

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