- Aonde eu cheguei? O que eu fui capaz de fazer para me proteger? O garoto se perguntava, impressionado com aquela situação. Tinha medo de qualquer pessoa que pudesse oferecer algum tipo de dano à sua alma.
Em uma pequena cidade de um bairro mais minúsculo ainda, sentado à beira da rua, um garoto magricelo, com um olhar profundo, olhava toda aquela gente passar. Mas, seu alvo não era um deles. Seu hábito era esperar todos os dias que uma linda garota, que por sinal morava em frente a sua casa, aparecesse e presenteasse seus olhos sem vida por frações de segundo com a sua majestosa aparição.
-Por que diabos a demora? Impaciente por que nunca havia ficado tanto templo plantado esperando o brilho que a menina trazia a ele...
O barulho da porta, do outro lado da rua quebrou o silêncio que havia no ar, e só no ar, por que no seu peito só se ouvia gritos de felicidade, obviamente disfarçados.
E lá vinha ela, com sacolas de lixo, até as cestas que ficavam na beira do meio fio, do outro lado da rua.
Como era linda! Perdia somente para os sorrisos que suavemente saltavam na direção do garoto, que parecia impressionado ao recebê-los como se fosse sempre a primeira vez.
- Eu te amo. Gritou o garoto em seus pensamentos.
E tão rápida como veio, se foi. E assim se foi mais um sol. E sabe qual era o motivo do sorriso, que o menino fazia questão de transparecer no rosto? Saber que amanhã era um novo dia.