Paradoxo

04 de Agosto de 2011 Edson veloso Juvenil 702

Não por covardia nem vaidade, mas com freqüência tenho me esquivado do amor. Não que eu não o queira, mas a cada pensamento ligado a alguém um meio eu morre. Solidão? Como posso estar só, no meio de tantos questionamentos? Tenho medo de errar e de acertar, tenho medo de ficar sozinho e tenho medo de possuir alguém demais.
Sinto-me sobre uma forte pressão e ao mesmo tempo me sinto leve. Meu corpo pede cada toque do outrem e expele cada arrepio que o mesmo o trás. Minha alma geme de desejo da carne, mas de manhã o mesmo rosto a trás repulsa. Meu coração constantemente foge de meus devaneios, treme ao assisti-los. Teme se ferir de novo, arrazoe, é o único sensato do tripé. Afinal foram tantos arranhões ao decorrer da viagem, destinada ao mundo de alguém.
Senta-se, cala-se e ouça. Cuido-me para não me ferir, me ferindo, nego-me boas coisas que possam ser atrativas para as más. Talvez seja egoísmo, abster alguém do meu calor, mas muitos já me foram prometidos e poucos sentidos. Talvez seja pirraça. Mas as lágrimas que já beijaram minha face me disseram ser resposta, me disseram ser defesa.
Há coisas em que eu penso e coisas que me fazem pensar, indago-me sobre tudo o que começa com prazos e prazos que nunca chegaram ao fim. Medos que vem de coragem e coragem que vem de medos. E talvez estar escrevendo cada uma dessas linhas se deva ao medo de ter coragem para ir até alguém e dizer quantas vezes quis sorrir que a amo ou as mesmas inúmeras vezes que meu peito gritou pedindo que não desistisse de mim.
Uma parte se surra pedindo um mero esforço para ser encontrada. A outra parte diz ser completa e afirma que ninguém possa acrescentar nada que ela mesma não possa se suprir. Nega tudo o que sente, sentindo tudo o que nega. Essa mesma parte finge ser forte, olha para cima, esconde que se importa. Berra para que saia e que a deixe sozinha, permite-se esvair do seu peito para seus olhos tudo o que sente quando não é encontrada.
O que às vezes noto e me recuso acreditar, que essas duas partes resultam do inteiro paradoxo que sou eu.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem permissão do autor.

Leia também
Uma Tal Pedra há 15 horas

No meio do caminho de muitas famílias, agora tem uma pedra... Tem uma...
a_j_cardiais Poesias 22


Mundo da Gataria há 15 horas

Gato criado com mordomia, não conhece o mundo da gataria. Não sobe nos...
a_j_cardiais Infantil 44


A história do amor há 16 horas

A história do amor O amor sempre existiu Em muitas formas Em várias ...
pfantonio Poesias 30


AFRO-AMERICANO - Des-História Universal há 16 horas

AFRO-AMERICANO Terra da Liberdade, a Norte-América Tornou republicana ...
ricardoc Sonetos 8


"Primeiro encontro" há 21 horas

Olha, te recordas da primeira vez que eu te vi? não foi só pra me distr...
joaodasneves Mensagens 7


John Owen - Hebreus 1 - Versos 4 e 5 – P3 há 1 dia

John Owen (1616-1683) Traduzido, Adaptado e Editado por Silvio Dutra ...
kuryos Mensagens 9