Paradoxo

04 de Agosto de 2011 Edson veloso Juvenil 731

Não por covardia nem vaidade, mas com freqüência tenho me esquivado do amor. Não que eu não o queira, mas a cada pensamento ligado a alguém um meio eu morre. Solidão? Como posso estar só, no meio de tantos questionamentos? Tenho medo de errar e de acertar, tenho medo de ficar sozinho e tenho medo de possuir alguém demais.
Sinto-me sobre uma forte pressão e ao mesmo tempo me sinto leve. Meu corpo pede cada toque do outrem e expele cada arrepio que o mesmo o trás. Minha alma geme de desejo da carne, mas de manhã o mesmo rosto a trás repulsa. Meu coração constantemente foge de meus devaneios, treme ao assisti-los. Teme se ferir de novo, arrazoe, é o único sensato do tripé. Afinal foram tantos arranhões ao decorrer da viagem, destinada ao mundo de alguém.
Senta-se, cala-se e ouça. Cuido-me para não me ferir, me ferindo, nego-me boas coisas que possam ser atrativas para as más. Talvez seja egoísmo, abster alguém do meu calor, mas muitos já me foram prometidos e poucos sentidos. Talvez seja pirraça. Mas as lágrimas que já beijaram minha face me disseram ser resposta, me disseram ser defesa.
Há coisas em que eu penso e coisas que me fazem pensar, indago-me sobre tudo o que começa com prazos e prazos que nunca chegaram ao fim. Medos que vem de coragem e coragem que vem de medos. E talvez estar escrevendo cada uma dessas linhas se deva ao medo de ter coragem para ir até alguém e dizer quantas vezes quis sorrir que a amo ou as mesmas inúmeras vezes que meu peito gritou pedindo que não desistisse de mim.
Uma parte se surra pedindo um mero esforço para ser encontrada. A outra parte diz ser completa e afirma que ninguém possa acrescentar nada que ela mesma não possa se suprir. Nega tudo o que sente, sentindo tudo o que nega. Essa mesma parte finge ser forte, olha para cima, esconde que se importa. Berra para que saia e que a deixe sozinha, permite-se esvair do seu peito para seus olhos tudo o que sente quando não é encontrada.
O que às vezes noto e me recuso acreditar, que essas duas partes resultam do inteiro paradoxo que sou eu.

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