Apaixonei-me por um pássaro sendo um peixe. Dos claros e calmos dias me fiz a olhar a ave, que sobrevoava as águas turvas de minha poça. O desejava. Os lábios da ausência me tocavam frio a pele. Seduzia-me com seu arsenal de cores, me enfeitiçava com seu canto que despertava devaneios.
E quando partia, me cortava por dentro a incerteza de sua companhia no sol seguinte. Dos meus dias me fiz ali, quando a luz nascia já começava a ser feliz.
Mas era longe, inalcançável, a distância odiei. O pássaro era minha alegria, até se esquecer de voltar... Eu sabia que meu sonho era grande, logo meu esforço deveria ser maior. Eu busquei outros meios, sozinho, como sempre foi. Precisava aprender me habituar com o meu novo tempo, por que com quem eu o usava não existia mais. – Prazer. Sou um novo ser, mudei ao notar que todos já não se pertenciam.
E os mesmos olhos que um dia se deslumbraram com a ave, enxergaram as mais coloridas e sedutoras “estrelas” que me beijavam a face quando a lua em sua mais perfeita forma se estendia no céu. E mais feliz do que saber que elas me presenteariam no dia seguinte com suas luzes, era ter a certeza que elas não partiriam.
Eu juro! Acreditei que tinha mudado. Mas, notei ser o mesmo...