“10 Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã, e lavem eles as suas roupas,
11 E estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o Senhor descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o monte Sinai.” (Ex 19.10,11).

Vemos que foi exigido nesta e em muitas outras passagens do Antigo Testamento que o povo de Israel se santificasse antes que se lançasse à execução de qualquer tarefa determinada por Deus, ou para a recepção de qualquer bênção prometida por Ele.
A razão de ser exigida esta santidade anterior ao ato de obediência ao mandamento, é porque todo ato de verdadeira santidade tem que ter algo sobrenatural nisto, de um princípio renovador interno da graça.
Nós fomos criados para viver para Deus.
E este propósito da criação divina cumpre-se naqueles que o amam e que lhe obedecem.
Todavia, não pode haver verdadeira obediência, no que se refere à vontade de Deus, sem que estejamos sendo santificados.
Aquele que diz que obedece a Deus deve estar em comunhão com Ele, deve andar com Ele, assim como se diz na Bíblia desde o princípio, nos exemplos de Enoque, Noé e Abraão.
Eles tinham prazer em Deus e na Sua vontade.
Eram Seus amigos verdadeiros porque amavam fazer a Sua vontade e cumprir os Seus mandamentos.
É a isto que Jesus se refere quando diz que somos Seus amigos se fizermos o que Ele nos manda fazer.
E é de fato assim, porque no que se refere a obedecer a Deus, nós provamos que somos de fato Seus amigos pelo modo com que amamos e fazemos a Sua vontade.
Nós não obedecemos os Seus mandamentos de modo interesseiro, com vistas a sermos considerados Seus amigos, mas o fazemos espontaneamente, de livre escolha e vontade porque Ele é todo o nosso prazer e razão de ser da nossa vida.
E quem implantou este sentimento, esta disposição interior no nosso coração, esta amizade sincera por Deus, foi o Espírito Santo, porque todos nós, antes da nossa conversão, éramos inimigos de Deus, por causa do pecado que dominava de modo absoluto a nossa natureza terrena.
E o Espírito Santo operou este trabalho em nós em cumprimento ao desígnio do próprio Deus que havia determinado trocar o nosso coração de pedra por um coração de carne, e nos dar um coração que jamais se afastasse dEle e que amasse e cumprisse os Seus mandamentos (Jer 32.40; Ez 36.25-27).
Então se foi o Espírito que nos tornou amigos de Deus pelo espírito de santidade que foi implantado em nós, devemos continuar submissos ao Espírito Santo depois da regeneração, para que Ele possa manter, em contínuas operações renovadoras, este mesmo espírito de amizade em nós, de maneira que em vez de termos prazer no pecado, tenhamos prazer nos mandamentos de Deus e um desejo intenso de viver para honrá-lo e fazer a Sua vontade.
É aqui que entra a necessidade de vigilância para mortificar a carne e não seguirmos a disposição da natureza terrena toda vez que ela se levantar em insinuações para condescendermos com aquilo que é pecaminoso e que desagrada a Deus, como também precisaremos de diligência para nos dedicarmos à adoração, à oração, à meditação na Palavra, e a todos os demais deveres que nos conduzirão a manter as operações do Espírito Santo em nós.