“Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.” (Fp 4.5)

A palavra moderação, de nosso texto vem da palavra grega epieikés.
O Dicionário do Novo Testamento Grego de William Carey Taylor a traduz como manso, moderado, sossegado, equitativo, afável.
Esta mesma palavra é encontrada também nos seguintes textos:

“não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso;” (I Tim 3.3)

“que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas moderados, mostrando toda a mansidão para com todos os homens.” (Tito 3.2)
Estes textos de I Tim 3.3 e Tito 3.2 destacam a moderação como uma das qualificações necessárias para a candidatura ao pastorado.

“Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.” (Tg 3.17)
Este texto de Tg 3.17 destaca também a moderação como sendo uma das características essenciais da verdadeira sabedoria divina.

“Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos vossos senhores, não somente aos bons e moderados, mas também aos maus.” (I Pe 2.18)
Aqui em I Pe 2.18 a moderação do cristão é indicada de forma indireta, pelo fato de ser ordenado que seja submisso com todo o temor inclusive aos senhores que não forem bons moderados. De forma que a moderação é colocada como uma exigência ao lado da bondade, para que não sejamos considerados pessoas más.

Vemos assim que esta palavra “moderação” indica um tipo de comportamento. Cabe-nos então identificar que tipo de comportamento é este que é ordenado aos cristãos, na Palavra de Deus.

O mandamento bíblico da moderação significa ser de um bom temperamento para com nossos irmãos, evitando atritos em coisas indiferentes, bem como fanatismo e animosidade, julgando-se mutuamente com interesse amoroso.
Esta palavra grega epieikés significa uma boa disposição com os demais homens, e esta moderação está explicada em Rom 14.
Alguns entendem esta moderação como paciência nas aflições, ou ser sóbrio quanto aos prazeres mundanos. O motivo declarado em Fp 4.5 para a moderação, é que o Senhor está perto. A consideração da proximidade do retorno de nosso Senhor, para a prestação de contas em Seu tribunal deveria nos encorajar em nossos sofrimentos presentes, e deveria moderar os nossos afetos tanto no relacionamento com as demais pessoas, quanto ao uso que fazemos das coisas deste mundo.
Certamente, a moderação bíblica aqui referida consiste numa qualidade de espírito. Não é mera questão de ser educado e polido. Porque é possível ser isto sem ser moderado.
A moderação não exclui o espírito de fervor que nos é ordenado na mesma Bíblia. Nada tem a ver portanto com o modo como nos expressamos para adorar e servir a Deus e ao nosso próximo.
Pelo que pudemos ver nos textos do Novo Testamento nos quais figuram a palavra epieikés, a moderação se contrapõe:

- a um espírito beberrão, espancador, contendedor e ganancioso (I Tim 3.3);

- a um espírito infamador e sem mansidão (Tito 3.2);

- a um espírito impuro, não pacífico, não tratável e sem misericórdia, sem imparcialidade e sem sinceridade (Tg 3.17).

Vemos portanto, que sem crescer na graça, no conhecimento de Jesus, e sem crescer na fé e no amor, é simplesmente impossível ser verdadeiramente moderado.

Esta virtude é dificílima de ser adquirida porque não consiste num espírito passivo, mas ativo. Não negligente, mas diligente. Logo, importa saber ter o devido equilíbrio para agir com moderação em todas as coisas, sem deixar de ser operoso e frutífero na obra de Deus e no relacionamento com as pessoas, sem no entanto ultrapassar a linha divisória do respeito à vontade de Deus e ao próximo.
Ser moderado não é portanto, ficar quieto num canto e ser omisso a tudo e a todos.
Não significa deixar de exortar, disciplinar, admoestar e repreender o errado.
Não significa ser sempre agradável a todos em toda e qualquer situação.
Mas saber equilibrar as ações, por pesar de forma sábia e adequada os espíritos, tanto nosso quanto dos outros.
Agindo em tudo, com o amor, longanimidade e mansidão que estão em Jesus Cristo, nosso Senhor.


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A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.
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