Em Números 11:4, há a descrição de uma multidão vulgar, mista que se infiltrou no meio do povo de Deus, essa gente aproveitou o drama do êxodo, a abertura para a libertação dos escravos judeus, provavelmente se infiltraram entre o povo israelita, essa mistura de gente, parece que trouxe muita influencia maligna para o povo de Deus, e com certeza, foi permitida por Deus como teste de fidelidade durante o percurso pelo deserto. Em Números 11, pesquisando um léxico, descobrimos como esse vulgo é uma tradução de uma palavra que ocorre somente uma vez no antigo testamento: asaphsuph (Strong 628). Esse “vulgo” era um comporto de gente promiscua de vida vulgar. Essa era uma infiltração que parece um tanto difícil de identificar, talvez pelo fato de ser uma mistura de judeus com egípcios, ou seja seriam filhos de judeus que contraíram matrimonio com os egípcios. Essa é uma possibilidade, dado ao fato que tinham estilos de vida não muito diferente dos judeus, e isso fez com que Moisés tivesse alguma dificuldade no discernimento para observar que havia mistura, uma espécie de fermentação moral entre o povo de Deus. Essa influencia maligna parece ficar acentuada em Números 11:4, e isso nos dá uma preciosa lição. A questão de sairmos do mundo, não é algo tão difícil, essa mobilidade é fácil, a questão crucial é o quanto do mundo que sai de dentro de mim. Saiu do Egito o povo eleito, mas parte do vulgo era propriedade intelectual e moral do Egito. Eles estavam misturados, como o joio e o trigo das parábolas do nosso Senhor Jesus Cristo (Mateus 13) era difíceis de serem identificados. Porque traziam traços externos de judeus e características internas de egípcios. Um exemplo dessa fermentação maligna oculta pode ser vista na mulher de Ló, ela saiu de Sodoma, mas o seu coração exigiu que os olhos daquela mulher se voltasse para a cidade abominável, seu corpo estava fora, mas seu coração queria voltar para lá, havia ago de Sodoma que não ficou em Sodoma, mas ficou dentro do coração daquela triste mulher. O mesmo ocorreu com Saul, ele não deveria poupar os amalequitas, mas se apodera dos despojos, de gado e do próprio rei condenado, Agague, e traz para o território sagrado da jurisdição judaica.(I Samuel 15) Essa mistura é um problema sério, quando nossa falsa compaixão e nosso falso amor deseja poupar aquilo que o Senhor já condenou, quando queremos reconciliar com aqueles que Deus considera inimigos, as coisas se complicam.
A influencia sinistra do vulgo testa o cerne da fidelidade dos filhos de Deus. Não há duvidas de que havia traços de cultura corrompida em muitos corações daquela multidão que saiu do Egito, esse fato é percebido em cenas dramáticas de apostasia como aquela em que vimos o povo rebelde e impaciente fazer um bezerro de ouro para adorar, uma expressão clara da influencia das divindades egípcias que o vulgo transportou para o deserto através da devoção ainda guardada nas profundezas do coração. Essas infiltrações, essa fermentação maligna traz todo tipo de problemas, e precisamos tratar desse assunto, relacionando a lição a nós mesmos. Pois também saímos do império das trevas, saímos do mundo dos pecadores, éramos mortos e carregávamos os traços da morte espiritual, “Em que noutro tempo andastes segundo o curso desse mundo...”(Efésios 2:2) durante muito tempo permanecemos nesse cativeiro, e é necessário que deixemos tudo o que pertence ao mundo, ao seu legitimo proprietário: o mundo. Todos os elementos mundanos precisam ficar lá, e o que é de fato mundano, num perspectiva espiritual? Aquilo que corrompe nossa imagem de santidade, aquilo que enfraquece a nossa noção de pecado e iniqüidade, aquilo que afronta os valores morais da santidade autentica, aquilo que promove a causa do deus desse século, tudo isso é mundanismo. Tudo o que enfraquece o nosso testemunho, que nubla o sol da justiça do evangelho em nossas vidas. Essa infiltração foi uma conseqüência de uma abertura para uma nova realidade, não sei como ocorreria o processo de purificação, mas Moisés deveria ter pensado nisso, porem encontrou dificuldades, vimos que a sua dificuldade vem logo no começo da administração, quando recebe um conselho de Jetro, pois da forma que estava agindo, iria enfrentar um desgaste emocional em curto prazo. Essas circunstancias demonstra,m que Moisés era humano e limitado, e talvez não tenha percebido com eficiência a existência de um vulgo entre os judeus. Tudo isso serve de lição para nós, pois que precisamos olhar para nós, e tentar descobrir se há indícios de elementos mundanos em nossa vida. Cada saída tem seus dramas, cada saída traz elementos antigos junto de si, isso é visto como já demonstrei, em diversos casos nas Escrituras. Parece que a saída dos Corintos da sociedade em que estavam inseridos, também trouxe junto elementos morais vulgares que seriam introduzidos na pratica espiritual da vida da igreja. O assunto aqui vai para o campo da experiência pessoal, na nossa fé, os elementos mundanos que destrói e que corrompem a nossa vida espiritual, devem ser eliminadas, se os elementos de mundanismo não são eliminados da nossa vida, então eles comprometem a estrutura espiritual da nossa cosmovisão cristã. Precisamos descobrir mais sobre essas infiltrações remanescentes da vida de pecado, e devemos eliminá-las da nossa vida, porque em nada auxiliam no crescimento da nossa fé, elas irão destruir e contribuir para a degradação da vida espiritual . Pedro exorta os cristãos com essas palavras: “Deixando, pois toda a malicia, e todo o engano, e todo fingimentos, e invejas, e todas as murmurações, desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (I Pedro 2:1 e 2) O autor aos Hebreus também admoesta : “Deixemos todo o embaraço , e o pecado que tão de perto nos rodeia, corramos com paciência a carreira que nos está proposta”(Hebreus 12:1). Nossa saída do mundo antigo de pecados para uma vida nova em cristo tem esses aspectos espirituais sutis, que precisam ser detectados, o vulgo deve ficar, deve ser eliminado, deve ser tirado e expulso da vida cristã, notamos que quando alguns discípulos são chamados, eles abandonam as redes da pescaria, mas depois que Cristo é crucificado, vimos que alguns não abandonaram o instinto do velho pescador. Voltaram as velhas atividades sem a fé e sem a esperança do evangelho. Há uma constante exortação no Novo Testamento a purificação “Purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor do Senhor...”(I Coríntios 7:1) há um processo de purificação que precisa acontecer na nossa vida após a conversão, e a graça de Deus permite que isso seja feito por nós. Esse é um principio espiritual que precisa estar vigente em cada redimido, e nunca devemos permitir que os elementos vulgares que muitas vezes acompanham o nosso êxodo, fiquem incrustados em nós, precisamos eliminá-los da nossa vida, o vulgo não é propriedade da redenção, não é obra da redenção e nem fruto da libertação, assim também isso acontece conosco, como no povo eleito que saiu do Egito no drama de Êxodo, assim, os elementos mundanos que permanecem em nós, não é obra do Espírito Santo em nossas vidas. Se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas já passaram, tudo se fez novo (II Corintios 5:17)

CLAVIO J. JACINTO