Quando Abraão se dirigia em direção ao Neguebe houve grande fome na terra, e por isso Abraão se dirigiu ao Egito (12.9,10).
Ele fez um ajuste com Sara para que dissesse quando chegassem ao Egito, que era sua irmã e omitisse que era sua esposa, de modo a ter sua vida poupada caso fosse cobiçada pelo faraó, uma vez que a lei antiga entre eles permitia que a mulher de alguém fosse dada a um homem poderoso, desde que fosse morto o marido, de modo que este não vivesse corroído pelo ciúme.
Aquela grande fome que estava havendo na terra, provavelmente em razão da visitação da iniquidade dos cananitas, estava colocando duramente à prova a fé de Abraão.
Outro, em seu lugar teria pensado e se deixado dominar pelo seguinte pensamento: “Deus me tirou da minha terra para me matar de fome neste lugar estranho?”.
Somente alguém com uma fé forte como a de Abraão, prosseguiria adiante, confiando em Deus, sem duvidar de Suas promessas, e tendo bons pensamentos acerca de Deus, debaixo de uma prova como aquela.
A terra em que Abraão deveria peregrinar não era o Egito, mas como ocorre ainda hoje, muitas vezes a nossa missão sofre interrupções em razão das dificuldades que enfrentamos neste mundo, e que têm em vista, no propósito geral de Deus em relação a nós, provar nossa fé e fortalecê-la de modo a nos preparar para obras maiores e melhores.
É possível estar a serviço do Senhor, e ainda assim estar debaixo de grandes dificuldades e aflições.
Na promessa feita através de Noé que enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite (Gên 8.22), é prometida a alegria da ceifa, mas esta será antecedida pelas lágrimas da semeadura; haverá o calor do zelo e fervor na obra de Deus e dos grandes progressos e sucessos que a acompanharão, mas haverá também o frio e o inverno que muitas vezes surgem com desânimos, desapontamentos, lutas, tristezas e perseguições.
Tudo isto está misturado na vida daqueles que servem ao Senhor. Não há de se ver aquela alegria pura e permanente com a qual tanto sonhamos, porque os espinhos na carne estão cooperando para nos manter humildes diante do Senhor, e a refinar a nossa fé e caráter.
Entretanto, nunca somos desamparados pelo Senhor (II Cor 4.8,9), de modo que somos consolados e assistidos por Ele em nossas aflições.
Ele sempre preparará para nós um lugar de refúgio, de escape, conforme a Sua infinita sabedoria, provisão e poder.
Ele provê para nós outra condição, enquanto aquela em que deveríamos estar não possa nos suprir, assim como o Egito estava para Abraão em relação a Canaã.