Depois do encontro com Melquisedeque Abraão teve uma visão na qual lhe veio a palavra do Senhor lhe dizendo que não temesse porque Ele era o seu escudo, isto é a sua proteção, e que o seu galardão seria grandíssimo.
Abraão não contestou esta afirmação do Senhor, mas alegou que não tinha filhos naturais, e lhe parecia que morreria sem filhos, pois os seus anos de vida avançavam, e a possibilidade de ter uma descendência numerosíssima ia ficando cada vez mais distante.
Em face desta argumentação, o Senhor, reafirmou a promessa feita anteriormente, trazendo Abraão para fora de sua tenda e lhe mostrando as estrelas do céu e lhe disse que as contasse caso pudesse, e afirmou que a sua descendência seria numerosa como aquelas estrelas, e de um herdeiro que seria gerado pelo próprio Abraão.
E, contra qualquer tipo de evidência que lhe fosse favorável, Abraão deu crédito às palavras do Senhor, e creu inteiramente no que Ele disse, apesar de nada ter diante de si, senão apenas a promessa que lhe fora feita.
A Escritura registra que a fé de Abraão lhe foi imputada como justiça.
A pronta concordância de Abraão com o fato de que a promessa era verdadeira, prova que ele não esmoreceu na fé (Rom 4.19) que havia demonstrado desde a primeira vez que o Senhor lhe fizera a promessa de lhe dar uma numerosa descendência, apesar de saber que sua mulher era estéril e que estavam ficando avançados em idade.
A fé de Abraão é portanto uma fé que descansa nas promessas e no poder de Deus, e não nas evidências e na própria capacidade pessoal, e é este tipo de fé, que se manifesta na perseverança nesta confiança fazendo aquilo que lhe é agradável, é exatamente o tipo de fé viva que salva e justifica, e por isso se diz, que isto foi imputado a Abraão como justiça.
Daí se dizer que o justo viverá pela fé; que a salvação é pela graça mediante a fé.
Mas observe que não é um tipo de fé qualquer que justifica, mas a mesma qualidade de fé que teve Abraão, cuja autenticidade era evidenciada pelas suas obras.
Assim o que justificou a Abraão não foi a sua justiça própria, mas o próprio Deus, com base na fé de Abraão que permaneceu firme em confiar nEle e em suas promessas, apesar de não ter nada além para crer senão na própria promessa.
Assim todos os que creem em Cristo, são salvos por crerem na promessa que Deus tem feito a Abraão de abençoar a todos os que estiverem unidos pela fé ao seu descendente que é Cristo.
Eles são justificados não porque lhes seja dada alguma evidência visível da sua justificação, mas porque eles simplesmente confiam de que Deus fará exatamente como tem prometido em Sua Palavra em relação aos que cressem em Seu filho.
Abraão foi justificado pela sua fé, assim como o são todos os verdadeiros cristãos, e é por isso que já não há nenhuma condenação para eles, como se lê em Rom 8.1, e conforme foi predito pelo salmista no Sl 34.22: “O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado.”.