O Deserto

23 de Novembro de 2013 Luis Claudio de Roco Mensagens 717



Texto: GN 21.8 – 21


INTRODUÇÃO:
Quando pensamos em deserto nos vem à mente a idéia de um lugar árido, vazio,
uma extensão de areia onde nada sobrevive. Porém a ideia bíblica de deserto é
um pouco diferente, já que o povo hebreu vivia numa região onde, apesar da
aridez do terreno e da vegetação escassa, era possível sobreviver.


  Quando a Bíblia se refere a
“deserto”, está designando a região do vale do Rio Jordão, vale do Mar Morto e
a região ao sul do Mar Morto. Um lugar de vegetação rasteira, de pequeno porte,
onde se podia criar cabras e ovelhas. Normalmente as famílias residiam em
pontos estratégicos, próximos a poços, oásis ou pequenos ribeiros. Assim, era
possível que uma família bem numerosa vivesse e mesmo prosperasse no deserto.


  Nessas condições encontramos Abraão e
sua família. Abraão era um homem rico e poderoso; seu filho Isaque um dia seria
herdeiro de tudo que era seu. Porém Abraão havia tido um filho com sua escrava
Hagar e isso estava lhe trazendo problemas. Para evitar dividir suas posses
entre seus dois filhos, Isaque e Ismael, Abraão resolve mandar embora Ismael e
Hagar sua mãe.


  É assim que encontramos Hagar e Ismael:
expulsos de casa, condenados a vagarem pelo deserto à espera da morte ou de um
milagre. Talvez você esteja também atravessando um deserto à espera de um
milagre. À espera de encontrar solução para a situação de calamidade na sua
vida.


  Porém, no deserto você também tem
oportunidades. Oportunidades que Hagar e seu filho Ismael provaram no deserto.
Oportunidades que quero compartilhar com você.


Que
oportunidades foram essas?


  1. DESERTO:
    OPORTUNIDADE PARA PROVARMOS A FIDELIDADE DE DEUS.


Hagar era já uma mulher vivida e experiente, acostumada
às dificuldades e à dureza do deserto. Porém Ismael não passava de um garoto,
que vivia no conforto e na riqueza de seu pai. Andar pelo deserto não era uma
experiência fácil para Hagar e para seu filho, Ismael, era muito mais penoso e
exaustivo. Não suportando o calor, a sede, o cansaço e a fraqueza, Ismael
desmaia. Sua mãe, numa atitude de resignação e desespero, o coloca debaixo de
um arbusto e se afasta para não o ver morrer.


  Porém Deus havia prometido a Hagar que seu
filho seria grande e dele também descenderia uma grande nação (GN 21.8 – 13).
Como, agora, Deus permitiria que Ismael morresse? Seria Deus infiel às suas
promessas? Sua palavra cairia por terra?


  Talvez esse fosse o pensamento de Hagar
naquele momento, mas Deus jamais deixa de cumprir o que promete. Mesmo que as
circunstâncias de nossa vida mudem, mesmo quando nossos planos pareçam ir por “água
abaixo”, Deus jamais invalida suas promessas.


  Quando passamos por momentos difíceis,
somos levados a pensar que Deus se esqueceu de nós, que já não nos ouve ou que
não nos ama mais. A verdade, porém é que Deus jamais nos abandona e o deserto
que atravessamos é a oportunidade de provarmos da fidelidade de Deus. Deus nos
leva ao deserto para que tenhamos prova de que suas promessas são verdadeiras e
Ele sempre as cumprirá. (Hb 6.17,18a Por
isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a
imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante
duas cousas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta
,...)


2.
DESERTO: OPORTUNIDADE PARA OUVIR A VOZ DE DEUS.


  O texto de Oséias 2.14 mostra uma
estratégia que Deus usa com seu povo quando este se mostra rebelde: Ele nos
conduz ao deserto para que, assim, possamos ouvir a sua voz
.


  O deserto é um lugar solitário, vazio, onde
não existem carros buzinando, televisões ligadas, patrões dando ordens,
crianças correndo... É o lugar ideal para ouvir Deus falando conosco, quando
nos desligamos do mundo ao nosso redor. E assim foi também com Hagar.


  Quando ela deitou Ismael debaixo do arbusto
e se afastou, toda sua atenção estava voltada para o que aconteceria a seguir;
ela estava sensível à voz do Senhor. Já esquecera toda sua mágoa de
Abraão que a expulsou de casa; já esquecera de toda sua ira contra Sara
que provocou sua expulsão; já esquecera de sua inveja de Isaque, que era
herdeiro de Abraão, enquanto que Ismael apenas era considerado um bastardo.


  Agora ela estava com o coração pronto para
ouvir e obedecer à voz de Deus. E Deus fala com ela (vs. 17,18); Deus renova a
promessa que havia feito a ela e lhe renova as esperanças. Deus providencia a
água que lhes renova as forças e abençoa a Ismael fazendo-o tornar-se um homem
forte, capaz de dominar o deserto (v20).


  Também a cada um de nós Deus quer falar,
porém somos tão ocupados conosco mesmo e com nossas preocupações que muitas
vezes o Senhor precisa nos fazer passar pelo deserto para que possamos parar e
ouvir a divina voz. (Sl 46.10 Aquietai-vos
e sabei que eu sou Deus
;...).


3.
DESERTO: OPORTUNIDADE PARA APRENDER.


É interessante notar que o texto diz que Hagar e Ismael “habitaram
no deserto”
. Deus não os retirou do deserto, mas os fez habitar e
sobreviver no deserto.


  O povo hebreu, assim como muitos outros
povos ainda hoje, acostumou-se a viver na região árida e desolada da península
do Sinai e das regiões vizinhas. Ali eles criavam cabras e ovelhas, plantavam
olivais e parreirais nas proximidades dos oásis e ribeiros, desenvolveram
atividades comerciais e muitos se tornavam guerreiros para proteger suas
terras.


  Ismael nasceu e viveu sua infância nesse
ambiente, por isso o deserto fazia parte de sua vida. Ele e sua mãe continuaram
a viver no deserto e aprenderam a conviver com os perigos, as incertezas e as
dificuldades do deserto. Acima de tudo Ismael e Hagar aprenderam a viver na
dependência de Deus
.


  Em nossa vida muitas situações que vivemos
nos ensinam a confiar e depender de Deus. Nossas experiências de vida,
tristes ou alegres, calmas ou angustiantes, coletivas ou solitárias, devem
servir para nosso crescimento e aprendizado. Como diz Paulo em Rm 5.3 e 4: a tribulação produz perseverança, e a
perseverança experiência; e a experiência, esperança
!


CONCLUSÃO:


  Pela
experiência de Hagar e Ismael no deserto aprendemos a olhar para as situações
difíceis de nossa vida com outros olhos. Os desertos pelos quais passamos devem
ser encarados como oportunidades que Deus nos concede: oportunidade para
provarmos da fidelidade d’Aquele que jamais nos abandona; oportunidade para
ouvirmos a doce voz do Criador que nos fala ao coração; oportunidade para
crescermos e aprendermos a suportar e dominar o deserto que nos rodeia.

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