Não pensemos de Deus sendo perfeitamente bom porque não permita que soframos qualquer tipo de correção.

O Seu caráter justo não permitirá que a Sua justiça seja apagada ou encoberta.

Exatamente por ser bom nos corrigirá para que possamos participar da Sua bondade e santidade, de modo a não termos que responder pelas demandas da Sua perfeita justiça.

É com um Deus justo que temos que tratar todos os dias, e é por isso que se exige santidade de nós e temor e tremor para andarmos na Sua presença.

Na verdade, muitas das provações que experimentamos ou são correções de Deus ou aplicação de disciplina para melhorarmos o nosso caráter e modo de caminhar diante dEle.

Por exemplo, não é raro que, quando andamos muito altivos, elevados, orgulhosos e achando que somos muita coisa aos nossos próprios olhos, o Senhor, em Sua misericórdia, provê experiências humilhantes e dolorosas que nos levarão para o nosso devido lugar, que é o de andar humildemente na Sua presença. 

  Se há tanto para aprender de Deus deveríamos sempre, portanto, ser prontos para ouvir, especialmente as coisas que o Senhor tem para nos ensinar.

Por outro lado deveríamos ser tardios tanto para falarmos quanto para nos irarmos, sabendo que há um Juiz perfeito no céu, que tudo julga consoante a Sua verdade.

É Ele mesmo que nos julga em nosso procedimento como também as nossas causas quanto ao que sofremos da parte de outros, sejam demônios ou pessoas. 

Tudo isto deve ser avaliado e praticado para um real viver na fé.

A verdadeira fé é constante e firme.

Ela alça vôo à presença de Deus, elevando-se mais e mais.

É assim que o crente deve se exercitar na sua confiança no Senhor.

Ele não deve ser como a onda do mar que é agitada pelos ventos, que aqui representam as tribulações que lhe sobrevêm. Numa hora está em cima, noutra, embaixo. Num momento crê, noutro duvida.

A vida do crente não deve ser como a onda. Ele não deve se deixar dominar pela dúvida na fidelidade de Deus, sendo impelido para lá e para cá pelo sopro das tribulações.

Ele deve permanecer firme na prática de tudo aquilo que tem aprendido pela Palavra, como sendo a vontade de Deus, e não se deixar arrastar pelas pressões que são exercidas sobre a sua vida, quer externas, quer internas.

Todas as bênçãos que Deus tem designado para nós, e toda mudança de nosso caráter segundo à semelhança ao de Cristo, Ele tem dado à fé.

Não à nossa própria inteligência pessoal, não às nossas habilidades, mas simplesmente à nossa fé nEle.

Uma grande fé é o que está sendo trabalhado pelas tribulações, e somente uma grande fé pode fazer uma pessoa permanecer fiel à verdade de Deus em meio a todo tipo de pressão que possa ter que suportar.

Assim, aquele que duvida e não crê, nada obterá do Senhor quando lhe pede em oração por sabedoria.

Podemos pedir com a nossa boca, mas não com o coração.

É no coração que se crê para a salvação.

A fé não é de meras palavras, mas daquilo que se crê no coração. 

 É portanto vã a expectativa de se receber alguma coisa de Deus quando lhe pedimos algo em oração, mas sem crer que de fato que o receberemos.

Jesus ensinou isto claramente em seu ministério terreno. E disse que nada é impossível ao que crê.

Tiago repreende o crente de ânimo dobre, isto é, o homem vacilante. No original grego, dipsikós, que significa irresoluto, de espírito vacilante.

A fé requer não somente confiança em Deus, mas ousadia para se colocar em prática, o que Ele tem ordenado.

Um homem irresoluto é um homem que não se posiciona e age para resolver as coisas que são necessárias à obra de Deus. Mas temos que reconhecer francamente que isto não é uma coisa fácil para quem não tem intimidade com o Senhor.

Daí ser fundamental obedecer-Lhe e cultivar nossa comunhão espiritual com Ele diariamente, para que conheçamos o Deus ao qual temos nos dirigido em oração.

Tiago aponta que a maneira de vermos atendidas as nossas necessidades é nos lançando sobre Deus com a firme disposição de tudo vencer por meio da Sua graça.

Contudo, Tiago não resume a questão da fé ao simples ato de abrir a boca e fazer petições a Deus.

Ele vai detalhar em outras partes desta epístola que uma fé autêntica demanda muitas atitudes cristãs, especialmente em obediência e prática efetiva da Palavra do Senhor, para que a oração seja conforme a verdade revelada.

E Tiago também nos diz que pedir para atender os próprios interesses pessoais, para se gastar em prazeres terrenos, é pedir mal, para não ser atendido por Deus, como veremos mais adiante. 

Tiago aponta a necessidade de uma vida verdadeiramente piedosa, na demonstração de amor e cuidado, especialmente pelos irmãos necessitados.

Uma vida santificada que resista resolutamente às corrupções do mundo, e que refreia a sua língua do mal.

Enfim, são tais pessoas, que vivem de tal maneira que podem contar com a amizade de Deus, com a Sua assistência, Seu socorro, e capacitação para fazerem a Sua obra e viverem de modo agradável a Ele.

Não há meios termos para uma vida espiritual vitoriosa.

Tiago deixa isto registrado de modo muito claro. Ou se pega ou não no arado e não se olha mais para trás. Ou se delibera que se lutará constantemente contra o mal e também que se entregará definitivamente à causa da verdade, ou então se cairá naquela condição de homem de coração dobre que é inconstante em tudo o que faz.

Não devemos ser inconstantes e duvidosos quanto ao nosso relacionamento para com Deus, especialmente no que diz respeito à fé, para que não vivamos a duvidar de Suas promessas, ou então a pedir a Deus coisas que sejam apenas de nosso próprio interesse pessoal, e não aquelas coisas pelas quais Ele espera que intercedamos com todo o nosso fervor, e que estão especialmente relacionadas ao amadurecimento do homem interior e ao crescimento e edificação da Sua Igreja.

A fé que não inclui estas coisas referidas nada mais é do que a fé dos demônios.

É uma fé morta que não pode ser acompanhada pelas obras de Deus, porque somente uma fé viva e genuína que procede de corações puros e piedosos pode ter a eficácia de um Deus justo e santo. 

Então não é aos crentes de coração dobre, que são inconstantes em todos os seus caminhos que Tiago está se referindo como aqueles que têm sido aperfeiçoados pelas provações.

Um crente inconstante, que não se aplica a agradar inteiramente a Deus, em todo o tempo e em todas as coisas que lhe são apontadas pela Palavra, quanto ao seu comportamento, não pode contar em receber a sabedoria que vem do alto, da parte de Deus, para iluminar o seu entendimento e dar-lhe poder pela graça e assistência do Espírito Santo, para prevalecer em sua caminhada neste mundo, ainda que em meio de muitas provações.

Quando a fé for refinada pelas provações, e nós formos aprovados, o processo estará completo, e seremos apresentados na glória na presença do Senhor, santos, inculpáveis e irrepreensíveis. Então nos será dada a coroa da vida na presença de nosso Deus. 

Deus nunca nos quer como seus filhos para mero conhecimento, mas para que a Sua verdade seja uma força dinâmica de mudança em nossas vidas. 

Tiago disse: “Seja pronto para ouvir”, isto é, “rápido para ouvir” - O contexto parece indicar que a referência principal é a de ouvir a Palavra de Deus. Este era o assunto do verso 18 e será o assunto do verso 21. 

Eles deveriam estar ansiosos e atentos à Palavra como é apresentada a eles.

“Seja tardio para falar” - Isto retrata uma pessoa que faz uma avaliação cuidadosa antes que ele fale. Então, medite na Palavra, faça uma devida consideração de tudo o que leu ou ouviu, antes de fazer uma interpretação rápida, que poderá estar incorreta. 

A maioria de nós é muito pronta para dar nossas opiniões em um assunto, se nós sabemos muito sobre ele ou não.

Aqui nós somos prevenidos a permitir um amplo tempo ao pensamento antes de falarmos.

Devemos ser criteriosos no nosso falar passando tudo debaixo do crivo da Palavra e do Espírito Santo, de maneira que não venhamos a falar palavras ociosas ou que não sirvam para a edificação dos ouvintes. 

  “Seja tardio para se irar.” - Há duas palavras no grego para ira. Uma é thumos, que denota as explosões mais violentas, apaixonadas de raiva. A palavra usada aqui, é orge, que é o tipo mais determinado e persistente de hostilidade.

Não está em foco, ainda que também condenável, uma ira de momento, mas um comportamento iracundo.

Uma pessoa constantemente irritável, porque isto é uma forma de ingratidão para com Deus, uma forma indireta de se murmurar contra Ele por aquilo que somos, pelo que temos vivido, e pela nossa impaciência para com os outros, porque ainda que silenciosamente, estamos sempre colocando eles debaixo do nosso julgamento.

Que modo terrível é este de se viver, porque nos fazemos juízes do próprio Deus e desprezamos em iras e amarguras o precioso dom da vida que Ele nos deu pelo qual deveríamos estar alegres e gratos em todo o tempo, independente de quaisquer circunstâncias em que estejamos vivendo. 

Assim, uma pessoa não deveria se permitir ser provocada muito depressa pelo que ela ouve.

Nós vemos isto com os incrédulos que são contrariados facilmente e ficam enfurecidos com a Palavra de Deus.

Porém, às vezes nós como crentes somos culpados do mesmo tipo de atitude. Com atitudes impróprias nós podemos nos achar contrariados com a Palavra facilmente.

  Em muitas ocasiões a Bíblia adverte sobre o abuso de palavras e o perigo da ira, como por exemplo em Pv 10:19; 14:29; 29:11; Ec 5:1,2; 7:9; Ef 4:31; Cl 3:8. 

 Tiago diz que  a ira do homem não produz a justiça de Deus.

A frase “a ira do homem” é colocada em contraste com “a justiça de Deus”. 

Nossa meta é ter a justiça de Deus operando em nossas vidas, e a ira não promove essa retidão porque "o iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões, conforme se afirma em Pv 29:22.

Nós devemos ser longânimos para com as faltas dos outros assim como Deus é longânimo para conosco.