Deus não nos repreenderá e nem nos envergonhará pelo fato de sermos ignorantes da Sua vontade, quando formos a Ele buscando entendimento para a forma como devemos proceder nas situações que nos afligem.

Porque Lhe aprouve encerrar a todos na desobediência, para usar de misericórdia com todos, isto é, Ele sabe que na nossa natureza terrena não habita bem algum, e portanto, não lida conosco com base na nossa própria justiça, mas na graça e misericórdia que nos tem oferecido em Cristo Jesus para a nossa transformação.

Ele se compadece de nossas misérias, fraquezas e ignorância, por isso nos chama ao arrependimento para que Ele possa nos curar com a Sua graça.

Se O amarmos Ele prosseguirá com o Seu trabalho para a nossa santificação, apesar de toda a nossa inabilidade e condição de pessoas imperfeitas que somos. 

Podemos ter a certeza e a convicção de fé de que Ele nos ouvirá se O buscarmos em nada duvidando, porque sem fé é impossível agradar-Lhe e Ele não se disporá a honrar a quem não Lhe honra, por não confiar nEle, e não crer que de fato queira nos atender nas nossas horas de aflição.

Se Ele não resolver a situação Ele nos fará privar da Sua companhia, e nos confortará e aliviará com a Sua graça e amizade, não nos deixando sós, abandonados, entregues à própria sorte e aos ataques dos demônios e dos homens que se levantarem contra a nossa alma. 

Como há muita sabedoria em discernimento da vontade de Deus, que depende do conhecimento da Sua vontade, Tiago, por meio da sua larga experiência em servir ao Senhor, e de ter aprendido sobejamente a Sua Palavra, adiantou-se em nos dar muitos esclarecimentos para nos auxiliarem quanto a este tipo de sabedoria que é necessário termos nas horas de provações e aflições.

Ele destacou por exemplo que apesar da pobreza ser uma fonte que nos expõe a tentações, ela não é em si mesma nenhuma causa para estar tristes e abatidos, uma vez que além de o Senhor ser um fiel provedor de todas as nossas necessidades, não há nenhuma desonra ou desvantagem perante Ele pelo simples fato de sermos pobres.

Ao contrário, a muito maiores tentações estão expostos os ricos, que apesar de nada serem diante de Deus, tal quanto os pobres, podem pensar que não dependem tanto dEle quanto os pobres.

Além disso ninguém que seja pobre de bens deste mundo não pode mais ser considerado como pobre caso tenha a Cristo, porque é agora co-herdeiro com Ele e estará em glória com Ele eternamente.

Um crente pobre pode ser exaltado pelo Senhor e se gloriar com alegria nEle, o qual é a Sua força, do mesmo modo que um rico pode ser abatido em sua exaltação, porque Deus abate a quem se exalta, e o rico está constantemente exposto à tentação de se exaltar, sem saber que passará como a flor da erva, e tudo o que tiver juntado neste mundo perecerá.

 “Na sua dignidade”. Ou, “Na sua posição elevada”. A pessoa de baixas circunstâncias tem que erguer a sua visão à posição exaltada que ela desfruta agora em Cristo.

Embora ele seja pobre nas coisas deste mundo e tratado com desdém pelas pessoas deste mundo, ele tem que se lembrar quem ele é em Cristo. 

Não há portanto nenhuma vantagem em ser rico ou pobre mas ser de Cristo e suportar a tentação e ser aprovado por Deus, porque são estes que receberão a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que O amam.

Uma outra coisa que devemos saber quanto às tentações, é quanto à sua fonte, porque nenhuma delas procede diretamente de Deus, porque Ele não pode ser tentado pelo mal, como também em Sua própria natureza bondosa e perfeita a ninguém pode tentar. Isto é, Deus jamais atuará para conduzir qualquer pessoa à prática do pecado, a transgredir a Sua vontade ou a enfraquecer na fé.

Por isso Ele deu aos crentes, não um Espírito desanimador, mas um Espírito consolador.

Deus nunca agirá para desanimar os Seus filhos, senão para animá-los, e por este motivo lhes ordena que tenham bom ânimo em suas aflições, porque Ele mesmo está sempre pronto a animá-los para que sustentem um firme e bom testemunho de coragem e fé, ainda quando se encontrarem nas condições mais extremas de fraqueza. 

Ele sempre procurará nos livrar da condição de abatimento pela concessão da Sua graça.

A fonte da tentação é tanto interior quanto exterior.

A interior está na nossa própria natureza terrena decaída no pecado, que nos leva a cobiçar e a pecar.

Até mesmo as tentações que recebemos do exterior, da parte de Satanás e do mundo, nos vêm como ações, sobre esta fonte interior da nossa própria cobiça.

De maneira que estas ações exteriores nada mais fazem do que estimular o mal que habita na nossa própria carne.

Se Deus nos gerou, como Seus filhos, nascidos do Espírito, pela Sua palavra para que fôssemos como as primícias das suas criaturas, do novo céu e da nova terra que Ele trará à existência para serem habitados pelos crentes, como poderia estar agindo para produzir o mal?

Dele, isto é, do céu, só podemos esperar toda boa dádiva e todo dom perfeito, sem qualquer variação nos Seus propósitos eternos, porque Ele mesmo não muda, e tem determinado formar um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras.

Isto não exclui evidentemente as Suas ações corretivas e os Seus juízos contra o pecado.