É tão ruim receber o ódio principalmente de quem ama. Odiar pode ser fácil, mas ser alvo do ódio é algo tão doloroso que nenhum sólido coração pode suportar.
O repúdio. Ser repudiado por mais quem ama, por mais quem arriscaria tudo. Nada, apenas nada mais.
As lágrimas são manipuladoras sentimentais, na verdade nem todas, algumas podem ser fiéis ao coração, às cicatrizes, às feridas ainda abertas em carne viva.
Aquele olhar, aquele rosto, aquela expressão. A direção a um retrato, uma expressão de ódio na face a qual eu gostaria de tocar, de sentir, de nunca poder esquecer.
No coração, só busco inspiração. Retratar o que sinto e o que resinto. Tento descrever a face, a expressão, mas é impossível. Talvéz não seja difícil, talvéz não sei escolher as palavras certas. Nunca apreciei tanta dedicatória.
Eu posso ter vindo de uma pobreza de espírito, mas aprendi a amar e a sofrer. Aprendi que o ódio não é algo tão simples assim. Sinto o ódio como uma espada cravada no coração, provocando uma ferida profunda, literalmente colossal. A dor nem se comenta. Não havaria linhas suficientes para explicar essa dor cardíaca sentimental.
Tentar superar também odiando? Nada adianta. A fraqueza toma o poder, toma o controle que ainda resta. É mais complexo do que se pode imaginar.
É possível amor sem confiança? Indagaram-me várias vezes com esta pergunta. Tudo vale a pena se a alma não é pequena? Assim diria o poeta. Seria essa a resposta? Poderia ser se eu soubesse pelo menos o tamanho de minha alma.
A minha alma. Grande ou pequena, que diferença faria? Eu vim realmente de uma pobreza de espírito? Eu andei contra os meus próprios ventos, recebi o merecido, mas não o ódio. Tudo menos o ódio da pessoa amada.
Sim, eu amo. O que poderei fazer? Esquecer não é fácil assim. Viver não é fácil. Viver é doloroso. Arrisquei e arriscarei tudo. Me entreguei e entregarei à loucura e ao sacríficio amado. Seja feita a minha vontade.