Acordei com a luz da quinta entrando pela janela. Senti o calor daqueles raios na pele e, por instinto, joguei o edredom pra longe. O único calor que eu queria era o dele. Dormia profundamente e com uma expressão serena no rosto.

Olhei pra ele por um instante. Admirei cada traço do seu rosto relaxado. Achei lindo cada pedaço daquele homem: suas sobrancelhas bem desenhadas e grossas, sua barba que não foi tirada porque eu disse que daquele jeito eu gostava, a sua boca, a cicatriz de catapora no nariz. Gostava de olhá-lo dormindo.

Brinquei com seus cabelos, fiz carinho. Sem abrir os olhos, ele me puxou mais pra perto. Nesse momento, quero morar no seu abraço e nem ligo porque já são 8h05. Desligamos os alarmes dos dois celulares repetidas vezes, na tentativa de fazer parar o tempo naqueles minutos em que faz todo sentido estar em seus braços, sentindo a respiração leve em meu pescoço. Não quero sair dali. Todo o resto pode esperar, isso aqui é único. Não quero ter que levantar e sair do o meu pequeno infinito, de tantos outros que temos.

Ficamos ali, conscientes do mundo à nossa volta, mas imunes ao inevitável. Me questionei mentalmente por que não acordava mais cedo só pra poder ficar rolando na cama e descobrindo vários novos abraços perfeitamente feitos pra mim. Sim, aquilo valia a pena. Decidi que com ele o despertador seria às 6h30.

Valia a pena.
Com ele, tudo vale a pena.