Aprendiz de Van Gogh

10 de Novembro de 2011 Gisela Cardoso Pensamentos 592

Vida completa de fracassos. Muitos fracassos. Inúmeros! Falhas em aspectos fundamentais em sua vida, em sua alma. Incapaz de fazer laços amorosos, amigos verdadeiros. Só resta a sucumbir a uma doença mental.
Ás vezes, sinto-me assim. Sinto fracassada, humilhada e sem merecimento de respeito. Devo eu desistir?
Eu fracassei no amor. Isso me faz desistir da vida. Suícido é um pecado independente da religião, mas só é visto pela minha alma doente como uma fuga de meus problemas. Fuga covarde!
Uma criança quieta, séria, introspectiva. Minha infância fora assim. Várias infâncias já foram assim. Cresci. Mudei um pouco. Amadureci um pouco? Quem sabe!
Deus, nosso pai, todo poderoso! Salve-me! Não irei traduzir Bíblias e Bíblias, pois meu tempo é tomado pela minha dor, pelos meus pensamentos confusos, pelas lembranças, pela minha mente doente.
Oh! A arte! A bela arte! A arte é usada pelas mentes doentes para expressar o seu sentimento. O seu sofrido sentimento. O seu doloroso sentimento. Torna-se a arte mais rica, mais verdadeira, mais real! Em meu caso particular, não tive boas relações com a pintura. Prefiro as palavras, as letras. Pelas palavras, eu me escondo por trás delas. O meu refúgio.
Outros, muitos outros, acreditam que a salvação pode estar em seu afogamento no álcool. Cria-se assim o seu mundo perfeito, idolatrado e aconchegante. Se envenena por dentro. Se corrói. Um absinto em uma mesa e todos os problemas podem ser esquecidos facilmente. É a vara da fada madrinha. Os problemas são esquecidos, mas voltarão. Sim, voltarão assim que acordar em seu mundo real e carnal.
O amor fracassou. Insisto em segui-lo até o senhor do tempo me fazer esquece-lo. Uma navalha aberta. Sagrada navalha! Devo me multilar? Prefiro uma ferida na carne a uma ferida na alma. Arranco um pedaço de mim e levo de presente para o meu amor, meu amante.
O repúdio, o medo de ter medo, o simples medo causaram a paranóia. Todos querem a minha morte como presente, como triunfo. Devo satisfazer esse prazer alheio? O que eu devo fazer é me isolar, me tornar presa por quatro paredes brancas e ser observada pelos mestres da ciência médica. Isso não é um refúgio, sim um repúdio da realidade.
Reijeição. Muitas rejeições. Reijeições daquele que um dia foi amor, amigos, da vida em resumo. A depressão entra. Ela não bate na porta. A depressão espanca as portas de minha mente. Derrubam as portas de minha mente. Sozinha, abandonada, rejeitada, um amor ferido... assim foi boa parte.
Gostaria de ter um irmão para poder ser um amigo. Um irmão amigo. Coisas que Deus não dá para todos.
Forte explosão criativa. Isso é bom? Não, mau! Agravou ainda mais o espírito ferido. A depressão, ali alojada, se torna mais ativa. Ativa cada vez mais.
O que devo fazer? Fugir para o campo e disparar um tiro contra o meu peito, em meu coração ferido. A dor da ferida não é mais forte do que a ferida que venho carregando pela minha vida inteira. Me arrastejo, vou me arrastejando até os pés de meu amor. Quero morrer em seus braços.
É o fim! Cometi um suícidio. Vou para o inferno. Agora a minha alma está condenada ao vale das almas suícidas.
Minha loucura causada pela dor fazia com que cometesse surtos violentos. Sofria. Sofria muito.
Tentei me conformar por uma palavra: paciência! Também tentei me guardar pelo silêncio, pois "sofrer sem se queixar é a única lição que se deve aprender nesta vida."
Quero que o meu corpo seja sepultado na França. Oh, doce França!
Eis o epitáfio: a tristeza durará para sempre!!

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