Correndo pelo campo de tulipas, braços abertos e mãos espalmadas
uma leve garoa cai, refrescando meu quente corpo.
Paro de correr, e me deliciar com a chuva, para pensar em você.
Também paro de escrever, nesse escritório, para sonhar acordado com seus lábios.

Pois nada mais interessa nesse momento
quero rimar amor com prazer...

Tento voltar ao foco da minha escrita
seria um romance? – seria poesia?

E no desespero da causa, por mais que a mesma me machuque...
afogo-me em citações famosas, pois sei que você iria gostar
cito Shakespeare, Sartre, até amanhecer.

Choro, como bem sabe que é de costume
pois é a única que me entende, me ouve e me lê.

Mas retorno à mesa vazia
com as anotações, o charuto e a bebida.
E de saída, sinto como um aperto forte no peito
uma insanidade que sussurra ao ouvido...
O lamento e o esvaecer da minha vida.

André Anlub®

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