Nós, que meros macacos recentes
Párias do acaso possuídos
Energúmenos seres sem alma

Traidores do amor e de si mesmos.

Nós, que hipócritas lisonjeiros
Atados à ignomínia e à mentira
E aos desejos e instintos animais.

Nós, que perdidos,... sem sentidos,
Como cegos na noite primordial
Incapazes e limitados ao tato vago

Do que nos é permitido compreender...

Fomos, mesmo que vis, desprezíveis,
Premiados com um paraíso perdido
Na imensidão do Vácuo Infinito.

Nós, que destruímos este mundo
Nós, que não percebemos do céu
Nenhum vislumbre alentador,

Do futuro temerosos...

Insensatos,...
Matamos a vida, da natureza a flor
Desumanos, infiéis, deturpadores,
Insanos como o vírus devastador.

O que restará de nós no fim?

A poeira que o tempo não dissipa?

Uma vergonha e arrependimentos infinitos?

Daniel Amaral
12-06-2010