Acreditar que há um propósito em tudo que há na vida implica em crer que a vida assemelha-se a uma estrada. Pois é cediço que toda estrada tem um objetivo. Trilhamos inúmeros caminhos, vez em quando me pergunto, entre outras coisas, se as ilusões são frutos do fato de não termos a nossa disposição um mapa extremamente confiável para nos orientar em nossa jornada ou se são obstáculos nas estradas?
Não acredito que nos iludimos devido a ausência de um mapa tampouco que a ilusão seja um “buraco na rodovia”. A ilusão é tão certa quanto o sonho. Ela é como um rio, que passa sob uma ponte, o sonho é mais amplo, é como um aeroporto. Entretanto o mesmo não deixa de ser o avião... que nos faz decolar e compreender que o céu não é o limite. Não para aquele que percebe que o céu pode ser, e é, muito mais belo.
Volto à estrada, para alguns seu fim é um “estranho conhecido”. A morte. Compreendo a lógica desse pensamento mas não corroboro com a ideia. Se há um fim para a vida esse ponto final é a própria vida. Seu propósito maior é vivermos. As várias veredas pelas quais passamos formam estradas de paisagens únicas. Se em meio a pousos e decolagens percebemos que temos medo de voar, medo de lugares altos, é provável que no instante em que nos decepcionarmos não atravessaremos a ponte, pois a ilusão saltará a nossos olhos como um abismo. E se temos medo de altura como andaremos sobre a ponte da superação?
Talvez haja pessoas que não sonham com medo de se iludir, mas que pecado! Não sabem que a maior ilusão é justamente não sonhar. Se o medo de voar é constante na vida de uma pessoa o resultado é simples e triste: Não será possível conhecer as cores do céu, e com os pés fixos no chão ela se ilude com a impressão de que o céu é azul, simplesmente azul. Essa malha de veredas que formam a “estrada da vida” não nos levará a lugar algum enquanto não superarmos o medo de voar.