Não lembro exatamente quando, nem onde. O contato foi brusco, errante... mas intenso. No que nos separamos, senti que parte de mim se foi. Ele a levou consigo.

De alguma forma, senti que não deixara de ser meu. Acho que foi por isso que não me fez falta. Além do mais, a partir dali eu o dividia com outro alguém. Na verdade, apenas desejava que o mantivesse a salvo. Que fosse alimentado, para que continuasse crescendo.

De surpresa, meu “ladrão” voltou e devolveu o que havia carregado. Mas estava diferente: ainda mais intenso, mais íntimo, como se aquilo houvesse ganhado, além da minha, a sua personalidade também. Estava mais... nosso. Mais do que nunca entendi que aquilo jamais cresceria tanto se fosse somente eu tomando conta. Graças ao outro, ultrapassou dimensões, esticou em todas as direções e contagiou quem quisesse sentir.

E colidimos uma segunda vez, colando pés, braços, barriga e lábios, para nunca mais nos separar. O que o trouxe de volta foi o que havia levado de mim, e nos deixamos levar assim, unidos e sentindo os corações baterem acelerados, um contra o outro. Descubro então que o que eu tinha era apenas parte, mas acabara de ficar completo.