Não sei porque sempre nos questionamos da vinda e ida das pessoas embora tentamos nos convencer de que estamos bem sozinhos, precisamos de alguém ou algo, de momentos, de memórias. Eu não sei porque, mais acontece. Estou andando pelo meu apartamento, pego uma xícara de café, pisando o chão que está no frio típico da cidade, quando começa a tocar: “Let it go, surrender, dislocate”. Se eu pudesse jogar essa linha de vida sem vida ao vento, se eu pudesse através de mim mesmo, eu guiaria seu coração afora ... E a música continuava, enquanto eu me entrelaçava a porta, e sentia sua presença e sentia seu carinho e seu cuidado e me vem a imagem de nós dois assistindo nossos filmes, cantando nossas musicas preferidas, alimentando seus peixes e quando abro o olho estou abraçada a parede e a xícara quebrada ao chão. Não faço de propósito, não sei se isso foi real ou se é minha mente criando memórias para suprir a necessidade que tenho de você. Então volto a realidade e vou limpar o café derramado, juntar os pedaços da minha melhor xícara e me lembro de quando você me prendia no chão e me matava fazendo cócegas, da dor, do riso e diversão ao mesmo tempo, e congelo esse momento, congelo vários deles, vivo nessas memórias que não libero, de nós dois dançando ao som de Stay, eu te acordando com Beatles,  fazendo waffles, escrevendo, te fotografando ... Momentos.E quando criamos uma prisão em nossa mente, pra guardar tudo que passou? porque foi bom de mais pra deixar ir. E quando você cria esses momentos em um só sonho? porque você precisa desse certo alguém. E quando você não sabe a diferença do que viveu e do que sonhou?E quando abro meus olhos você está ali deitado comigo e imediatamente fecho os olhos.- Por que você fechou os olhos?- Fique e o dia manteria a sua confiança, fique e a noite seria o bastante- Por que você fechou os olhos?-Porque se eu abrir vou descobrir se isso é verdade ou um sonho, e prefiro não abrir e te ver se desfazer no ar, quando tudo isso não passou de uma tentativa de suprir meu desejo, saudades e necessidade de você.Não sei porque questionamos essas vindas e idas, não sei porque elas acontecem, sei que nos prendemos as memórias, sei que estou com os olhos fechados andando pelo apartamento, mais é assim que você ainda continua aqui. Fique.