Tento e atento,não me saí nada.

Quem inventou essas malditas dessas palavras? Talvez Francis Bacon estivesse certo ao considerá-las ídolos sem significância. A não ser que atribuamos a tais um significado.

E penso, repenso.

Como por experiência, atribuir significados as descabeladas se nunca as conheci em sua intimidade? Nunca me ofereceram chá com bolachas! Mas ah, que absurdo! sempre pareceram tão metidas e pontiagudas, que em minha humildade não me dei habilidade em interagir com as danadas.

Sempre escaparam por minha escrita, e por isso sempre tive as palavras vagas.

Por isso a linguagem pobre de manuscritos empoeirados que ainda guardo debaixo da cama. 

Porque não as conheci, pelo menos nunca as entendi. E ainda não entendo.

Como por, apenas força do destino, palavras como :"Amor, felicidade, tristeza" sejam apenas um amaranhado de letras amontoadas monotonamente e ninguém sabe o porque da sequencia infeliz das mesmas.

Quero dizer, e se nunca senti felicidade, como posso pô-la em um poema ? E se nunca senti o amor literário, como posso ler Shakespeare? E se nunca senti, não sou poeta, e se não sou poeta, quem eu sou?

E tanta gente que é alfabetizada ao contrário!  Que aprenderam o significado de milhares de palavras sem saber a escrita. Que "Amor, felicidade, tristeza" representam um campo, café e um prato de comida. 

Ah, que gente maravilhosa, essa gente vivida.

E por não ser poeta e nem gente vivida, não me sobra nada, a não ser as palavras, as travessas, formando esse pensamento, vazio e sem significado.