Nesta vontade imensa de chorar vou abafando meus sentimentos, enterrando minhas tristezas para tentar escapar, mas como vou escapar se abafo com meu travesseiro e enterro em meu quintal. O fantasma sempre estará lá para me atormentar seja na minha cama ou em um passeio pelo pomar. Tento fugir colocando na mente pensamentos de mais um devaneio do meu desequilíbrio sentimental, procurando na carne jovem o interior que me falta, o sorriso que já não tenho a anos. Quem me dera poder estender aqueles dois dias por uma eternidade, talvez assim poderia ter tomado coragem e chamado para dançar uma dança sem música onde os passos marcados não poderiam ser ensaiados e muito menos errados para não maltratar a velha bailarina que nessa sua sina de escrever vai tentando ler um novo futuro. Sem ao menos saber dizer se vai sobreviver.