As folhas daquele livro antigo



Voavam como asas ao vento



Suportando as magoas do relento



Iluminando as vidas que passavam



Não são folhas secas de outono



Mas letras reluzentes num papel amarelado



Rasgados pelas laminas de um arado



Vertendo o vinho não fermentado



Meus olhos tristes contemplavam



Aquela porção de folhas singelas



Que sujas do chão ficaram mais amarelas



Nuance com as letras tingidas de carmesim



As folhas do livro eram como fogo



Que o coração fazia num instante incendiar



As chamas ardentes pareciam um luar



Que dissipava toda escuridão



No lado do caminho fiquei



Porque entre tantos outros, nele segurança senti



E com seu fogo, minha alma aqueci



Me deu forças para caminhar



Naquele dia vi uma luz intensa



Fogo que incendiava uma esperança imensa



Nunca vi livro com paginas assim



Eram escritas como se dirigidas a mim



Em meio as tormentas adormeci



O livro que estava tão rasgado



Juntou as minhas partes despedaçadas



Descansei, esperando as canções da alvorada.



As paginas do velho livro rasgado



Pelo caminho da vida espalhado



Foram alento para minha solidão



E plena luz na minha escuridão


Pr C. J. Jacinto