O homem invisível
(de William Adriano)

De repente ele tinha percebido algo estranho
Ele não era mais visto pelas pessoas ao seu redor
Não que ele realmente tivesse desaparecido
Mas pressentia que o ocorrido fosse algo muito pior

Inicialmente ele se sentiu perdido e solitário
Pois foi ficando penosa a sensação de solidão
Transeuntes esbarravam em sua carcaça pálida
E ninguém se importava com suas lágrimas cadentes

Mas foi quando ele então subitamente aquiesceu
Percebeu detalhes que antes lhe eram “invisíveis”
Descobriu que era ele quem não via a realidade
Eram os seus olhos impuros que estavam cegados

A invisibilidade passou então a ser sua sábia amiga
Habilmente se esquivava das ofensivas alheias
E se tornou um exímio pintor que pacientemente
Passava para a tela da alma seus traços realistas

Escutava uma canção que ninguém podia ouvir
Pois estavam todos ocupados em serem ouvidos
Espreitava os hipócritas que se faziam de ouvintes
E dançava efusivamente em meio aos surdos de coração

Foi ai que invisível em meio ao areópago dos inúteis
No meio da multidão que se comprava e se vendia
No mercado livre das almas sedentas pelas paixões
Após um olhar de relance, partiu sem importar presença


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