Argumentos desconhecidos devoram-me,
numa ausência igualmente repetida,
finjo espantada mas aguardo o que se me afigura,
desvaneço numa recusa que se evapora,

mas tenho a certeza nas voltas a dar,
plano sobre o sublime que me atinge,
caminho a teu lado sem que o saibas,
desiste de te ausentares,

o teu mundo interior está desorganizado,
não existem mistérios,
confronta-os e verás,
eu apenas encontro o caminho através de ti,

quero voar contigo, avançar caminhos,
entrego-te o meu sorriso,
o meu corpo,
a fim de que organizes o nosso castelo,

que o coração nos leve pelas dunas,
acende a luz e recupera o teu eu,
devias estar aqui e não estás...
a falta de coragem destroi pontes,

evita engolir-te a ti próprio,

enfim,entrego-me à evidência do teu ser.



Ana Margarida Amorim