Poema Sujo

25 de Agosto de 2014 professor Poesias 208

Poema Sujo


Turvo
turvo
a turva

mão do sopro
contra o muro escuro
menos menos menos

que escuro menos
que mole e duro menos
que fosso e muro:

menos que furo escuro
mais que escuro:
claro como água?

como pluma?
claro mais que claro claro:
coisa alguma e tudo

(ou quase) um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul era

o gato azul
era o galo azul
o cavalo azul

teu cu

tua gengiva

igual a tua bocetinha

que parecia sorrir entre as folhas de banana
entre os cheiros de flor e bosta de porco
aberta como uma boca do corpo

(não como a tua boca de palavras)
como uma entrada para eu
não sabia tu não sabias fazer girar a vida

com seu montão de estrelas
e oceano entrando-nos em ti bela
bela mais que bela

mas como era o nome dela?
Não era Helena
nem Vera

nem Nara
nem Gabriela
nem Tereza

nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria

perdeu na confusão de
tanta noite
e tanto dia.

Ferreira Gullar

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Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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