Estátuas
(de William Adriano)

O imóvel sentimento da pedra esculpida
O bloco rústico que o artista já sabe o fado
Folhas em branco de um poema que surgirá
Ou a nota no piano que em arte tornar-se-á

Mas por enquanto só o vazio, o éter, a espera
O paciente olhar na pauta que lhe aguarda
A musa ou a tragédia que na cena se finda
O coração inspirado que suspira pela vinda

E a alma do artista se restaura a cada golpe
A estátua sutilmente vai ganhando forma
Ao exteriorizar o âmago da sua paz e febre

A imagem de si mesmo na ideia do impreciso
Que oculta nas linhas da estética convencional
Deixa para sempre os resquícios de um sonho


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