Vi tijolos...
Tijolos brancos, pretos...
Tijolos amarelos, tijolos vermelhos...
Tijolos, tijolos, muitos tijolos...

Eles estavam, porém, apartados,
Em montes separados,
Em opostos lados,
Sem qualquer junção...

No meio, então, vi,
Um profundo buraco,
Cimento em saco,
E água no chão...

Um dos tijolos rolou,
Molhou-se na água,
Derrubou cimento,
E em outro grudou...

Imitando o primeiro,
Um após outro,
Moveu-se e rolou,
E ao semelhante colou...

Com grande destreza,
Subindo em altura,
Em firme moldura,
Um muro se formou...

E os outros tijolos,
Sem cimento ou água,
Somente com mágoa,
Nada entenderam...

Enfim, à margem ficaram,
Mas se vinham da mesma fonte,
Por que não se juntaram,
Para fazer uma ponte?


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