As pessoas não são boas quando você é um escravo,
Se sentindo enclausurado, cansado e vigiado,
Copo cheio e isolamento, a realidade não tem mágica,
Alegria e constrangimento dentro de uma bolha plástica.

As pessoas não são boas quando você está caindo,
Elas querem ver a fortaleza ruindo,
Então alcançam um lenço para secar suas lágrimas
E sentam esperando a próxima chuva trágica.

Os carros passam sorrindo sob o sol contente,
O quarto é tão seguro com a garrafa presente,
Você nunca disse que não precisava de um bote salva-vidas,
Você nunca disse que era um beco sem saída.

As pessoas não são boas quando você não é bom,
Elas não têm culpa por sua inadaptação,
Não espere abraços calorosos que você nunca deu,
Não espere nada além do que é seu.

As pessoas não são boas quando você está sozinho,
Cabisbaixo, desistindo de lutar com moinhos,
Derramando seu sangue invisível pela calçada,
Tentando ser pássaro, fantasma ou estátua.

As crianças vão e vêm com a magia nos gestos,
Andarilhos caminham de mãos dadas com restos,
A sociedade corre com rodas e passos mecânicos
Nas calçadas e estradas de um caminho agônico.

As pessoas não são boas se você está sóbrio,
Você também é uma pessoa, mas um tanto quanto mórbido,
Você dobra a esquina e quer voltar para o seu hotel,
Mas encontra apenas ruínas e o céu.

As pessoas não são boas quando você é um cachorro sem dono,
Observando sinaleiras para atravessar o abandono,
Morando em bares e quartos vazios,
Procurando lugares isolados e menos frios.

A chuva faz um bonito concerto nos telhados,
Os sonhos podem ser belos, mesmo estando acordado,
Basta desligar o cérebro e dançar com o nada,
Sem expectativas, feridas, lembranças e garras.