Empoeirado e encurvado,
Com o tempo pesando sobre a cabeça,
O velho vai, desanimado,
Seus olhos: insígnias de luto
Por tudo o que foi desaparecendo,
Conforme coisas novas vieram,
Mas seus olhos não estavam dispostos
E o seu coração sem veludo
Batia, mas estava abatido.

E horas mortas vieram,
Somando séculos, milênios
E o velho lembrando
Civilizações remotas de si mesmo
Chorava e chovia por dentro
Em frente a um espelho
Que lhe apresentava as reais dimensões
De seu eu transfigurado.

Nas ruas, crianças crescendo,
Rumando a alegrias, tropeços,
Mulheres com lábios magnéticos,
Homens com passos determinados,
A vida em forma de bocejo,
Enquanto o velho mais velho que o tempo,
Não vê que um recém nascido
Lhe ensina a berrar.


Outubro/1999