Sou um sujeito um tanto macambúzio,
Tal qual Dostoievski em São Petersburgo,
Misantropo, ando buscando refúgio
Das bombas que zombam, julgando-me surdo.

Não sou um poeta, nem anjo, nem augusto,
Talvez um neurótico, da paz um viúvo,
Um rude pateta, sem meta e com susto,
Um mero protótipo de lobo sem uivo.

Babando, raivoso, saliva ácida,
Dos cantos da boca sombria e flácida,
Eu te agrido com palavras ásperas.

Olhando, nervoso, com gestos grotescos,
Te insulto e descubro o meu parentescos
Com as lesmas nojentas, cobras e baratas.


Agosto/1998