Tarde morna, gente orla pela sala, logada na banda que é larga de bytes. Vão e vêem em dados, em megas.

Luz, cam, ação...

__Boa tarde!

E-mails checa e responde, anexos arquivos... Tec... Tec... tecla, conferencia!

Os clientes e seus pedidos, encaminha. Campainha é o skype que insiste, aceita, ouve... Fala, fala, interessa, oferece tendências e novidades do mercado. Apresenta, inventa, vende tecnologia... Escreve, bebe, verte, cheira poesia... Uma sinfonia, diria.

A tarde é morna, sem comiseração alguma, assemelha uma apatia . Recosta na cadeira confortável, retira a ferramenta de trabalho da cabeça, enrosca nos cabelos de ondas raras.

Relaxa... Pensa: Há dias não te vejo, anseio teu beijo, teu calor... Me excedi... Te perdi sem querer nos ferir, na única batalha aceitável, a do amor, proclamei todo meu amor, decretei te vencer sem sentir-me vencedor. Antes, cúmplices no desejo que marca a carne, faz perder a alma.

Um vermelho flamante na barra da tela deixa a sala quente e de repente é você que chegou. Um toque... Te vejo nas palavras repetidas, únicas de saudades, de vontades, de paixão, vão e vêem esquentando a tarde morna. Cruza e descruza as pernas, mãos umedecendo, batimentos cardíacos subindo, já vindo na boca, se morde, o lábio, umedece, contrai o vulcão que vai e volta.

Em brasa, detém, a ameaça... À tarde em lavas, amorna, a sala em bytes devora.
Desejo, de bicho solto, devorar, saciar. Sai pra rua, vento quente beija a nua que alucina febril, exala cheiro e no farol os olhares serpenteiam as vontades que se calam. É tua, a fala que me leva pelas ruas, a sua. Chego tua, próxima, bem próxima. Risos, necessário, sejas, tu eu bem vindos. Toque ponta, cheiro, o procurar, o descobrir, a devastação das fronteiras. Método artesanal às mãos, o cio, vendo descoberto o clima, o que cria, o abraço e o beijo.. Não para e não sara, não cala... Esbraveja simples, me beija demais e mais do que ficou e mais e mais e mais que não te falte fala, ou que falte, ou que tudo solte num brado, justo, feliz, prazer!