E me puseste no teu leito
Com cuidados de amante perfeito
De desejos minha alma estremece,
O mundo pára, a volúpia cresce.

Cerro os olhos e sinto a tua boca
Em meu ventre qual borboleta
Beijando flores em festa louca,
E a tua destra que meu seio aperta.

Depois, teu corpo ao meu unido,
Explorando os meandros do meu ser interno
Busca a fonte do prazer com carinho terno
Penetra suas águas para ser ungido.

É um impudor na minha idade,
Um êxtase devasso que me vence,
Gozo de vibrante ansiedade,
Dar-te este corpo que a mim já não pertence.

E nele fazes estranhos arabescos,
Envolves-me em pecados dantescos,
Como serpe em voluptuosa dança,
Cravas tua semente como se fosse lança.