O vento entra em meu quarto,
com uma musicalidade,
intensa, harmoniosa e triste.

E eu me elevo de minha cama,
como a iniciar uma viagem astral,
que o vento me leva para ao que vivi.

Me leva para o meu passado recente,
dos momentos inesquecíveis que
desfrutei, que é a matéria prima
da minha maior saudade.

Mas me leva também, nesse passado
recente, a outros momentos, tenebrosos,
de ouvir o que nunca queria ter ouvido,
que também são a matéria prima,
da minha tristeza, dor, desespero
e melancolia.

Delírio, que o vento me trás,
todas as noites, para sentir,
acordado, a viagem astral,
que me encanta e ao mesmo
tempo me alucina.

Esse é, de agora em diante,
o delírio do meu viver.
De saudades doce e
melancolia tenebrosa.

Esse é o delírio de sua
ausência, mas que também
é a certeza, que não é delírio
o Amor que guardo em meu
coração e é a razão do meu viver.