Vinha, todas as manhãs,
A tristeza dedilhar
Nas teclas do meu coração
Uma canção para eu chorar.

Um dia o tranquei a chave,
Emudeci cada tecla sem dó
E disse:- Coração não morras
Porque em ti habitará a alegria!

Chegou nas asas de um beijo,
Misto de sagrado e profano,
Fazendo-me despencar nua
Entre as raízes de novo amor.

E a tristeza impotente feneceu
Provando do seu letal veneno
Quando as portas se abriram
Para o cortejo da alegria...

Tiquetaquearam todos os relógios
Adormecidos em cada parte de mim,
Afivelando-me no rosto um sorriso
Mais enigmático que uma pintura.

21/12/04