Imagino o rosto do mar,
A voz explodindo em murmúrios
E o perfume espargido no ar.
Sinto que o real se torna irreal,

Internando-se em meu pensamento
Com a força que vem da ausência
Dos sonhos que foram afogados
Nas águas revoltas do tempo.

Passadas marcadas na areia
Da minha praia interior
São réplicas da andança
De mãos dadas e cabelos ao vento

Em direção à ilha oculta
No horizonte da felicidade.
Claros sinais a vida me deu,
Luz sensual nuns olhos.

Barcos de palavras insinuantes
Navegaram em meu silêncio.
Apressa-te! Aconselharam-me as horas.
Perdi-me entre gaivotas,
Esperei demais pelo nascer do sol
No cais da insegurança.