Eu era feliz
Tinha casa e comida
Tinha mamãe querida
E papai pra brincar
Com os os meus amiguinhos
Brincava e corria
Sem saber que um dia
Tudo ia se acabar

Papai trabalhava
Ganhava dinheiro
E o ano inteiro
Nos dava presente
Mamãe aos domingos
Cantava e rezava
E tão bem preparava
Um banquete pra gente

Um dia eu cheguei
Da escola contente
Estranhei tanta gente
Na nossa morada
Já preocupado
Entrei sem sorrir
Pois também senti
No peito uma pontada

Minha mãe chorando
Disse: filho meu
O que aconteceu
Eu vou lhe falar
Entrou um ladrão
Na nossa morada
E com uma facada
Seu pai foi matar

Olhei pra o papai
Caído no chão
O meu coração
Quase que parou
Mas a esperança
Da gente brincar
Só foi se acabar
Quando se enterrou

Mamãe todo dia
Chorava baixinho
Dizendo filhinho
Não vou aguentar
Um dia dormiu não
Acordou mais
Perdí os meus pais
Que podiam me criar

E tudo mudou
Cresceu de tamanho
Morei com estranho
Sofri um bocado
Sem ter mais carinho
E sem alegria
Tudo que eu fazia
Diziam: tá errado

E todo malfeito
Era eu que fazia
As vezes batiam
Por puro prazer
Ai que saudade
Da mamãe querida
Se tivesse vida
Ia me defender

Um dia sem querer
Quebrei uma vidraça
Foi uma desgraça
O que aconteceu
Aquele meu tio
Que dizia me educar
Pode acreditar
Foi quem me bateu

Bateu com um fio
De eletricidade
Por pervessidade
Me deixou marcado
Mas uma pessoa
Lhe denunciou
E ele foi depor
Lá no juizado

Agora estou
Fora de perigo
Estou num abrigo
Pra lhe aguardar
E com fé em Deus
Minha estrela brilha
Espero uma familha
Pra me adotar!

Zé da Legnas
Enviado por Zé da Legnas em 27/01/2008
Código do texto: T835290