Defendo meu canto
Teu pranto
E o espanto ridículo de tantos

Por todos os lados
Os cantos
As partes

Parto e absorvo
O silêncio dos olhos
Das línguas
Das poesias cansadas!

Calço a dor
E percorrendo um chão abstrato
Descubro o universo em mim.

Sou mais um favelado
Na era do consumo
Sem estomago
Sem trapo
Sem teto.

Sou mais um pivete de rua
Sem escola
Sem infância
Sem futuro.

Marginalizado por um regime
Burguês e autoritário.

Sou mais um ser humano
Resíduos de uma espécie
Que tinha tudo pra dá certo