Da obra: A Magia da Solidão
Direitos autorais reservados - (Branca Tirollo)

Este é um pequeno trecho - guardo e prezo -
O verde lar dos bichos, borboletas coloridas
Beija-flor encantado, beijando a flor do capim

Bando de andorinhas riscando o céu nublado
Garças tranquilamente, cruzando o véu prateado.
A encantar querubins

Paraíso que Deus criou, cheio de verso e canção
Descanso de nossos filhos, a nossa roça de pão
Recanto de enamorados, calçados com pés no chão
Não se via aqui miséria, nenhuma reclamação
O céu estava na terra, e as estrelas sobre as mãos

Passaram por este trecho, homens de terras distantes
Não plantaram semente, mas espalharam corantes
Não criaram versos e rimas - sequer uma melodia
Roubaram nossas canções, sufocando a poesia

Cantaram nossas canções - grande astúcia -
Destruíram um paraíso pra provocar a angústia
Hoje o Caipira chora, memorizando o passado
Belezas mui fulgurantes, que nada tinha de errado

Falo do verde das matas, que deitavam nas cascatas
Do tom que as pedras e as águas exibiam serenatas
Reclamam por não ouvir, o barulho das correntezas
Que no velho engenho ecoava com muita delicadeza

Quando passam por estas bandas, frias e quebrantadas
Lagrimas velam o penoso chão – coagidas são as bocas -
A confessarem o que extravasa em cada coração.

Onde os gringos navegaram, entre as colinas e os portos
Navegam na lama quente, milhares de peixes mortos
E neste trecho de pedras, caminha o triste Caipira
Em meio às impurezas, movido pela incerteza.

Abandonado, o Caipira. Vive como alma penada
Passando fome e sede, sentado a beira do rio
Memorizando a paisagem. Do antigo Rio Piracicaba.