O barqueiro vai, leva o tempo,
desce o rio, leva a vida,
na canoa, bagagens carregadas,
das sementes, que jamais foram plantadas,
sementes que o amor, um dia encontrou
e mofaram, esquecidas, pelo tempo...

Leva o tempo, leva a vida,
descarrega os sonhos, desperdiçados pelo caminho,
pela busca, desagradável da pressa,
agora é tarde demais... Devolva o tempo,
mas o tempo, não volta atrás...
Leva a vida, leva o tempo,
leva a espera do barqueiro,
na contabilidade das horas, dias preciosos,
que não param, pelos desperdícios de tempo,
onde a vida, passou, pela força, do braço do barqueiro...

Traz a vida, busca o tempo,
onde ainda existe o tempo,
que num momento, estanca a areia,
e deixa de escorrer, pela margem da vida,
em vislumbre do reflexo,
da imagem que brilha na correnteza,
e reduz, a força do remo, corre manso,
segura o amor, e diz que o ama...

Traz a vida, para o tempo,
a alegria do momento, as sementes que brotam,
em dias preciosos, um por vez,
vividos pelo tempo, ao tempo da correnteza,
que escorrega o barqueiro,
em direção ao destino que o sol brilhou,
que o tempo encontrou,
e não naufragou no medo de ser feliz,
no reflexo, que venceu o tempo da vida,
do barqueiro, que acreditou no amor e o tempo voltou.. .

Flávia Angelini.