GAMBIARRAS

Tudo o que se tem à mão
Ganha nova utilidade
Quando se faz solução
Que resolva, certa ou não,
Na hora da necessidade.

Para alumiar, por exemplo,
Os sós desvãos da consciência
De olhos fechados contemplo
Minh'alma como se templo
Da já perdida inocência.

Assim não raro a poesia
Lança luzes onde obscura
A ciência ou a filosofia...
Dando às letras fantasia
E aos males da mente cura.

Por precária e provisória
A verdade d'umas rimas,
Não pretende maior glória
Que guardar pela memória
Alguns lampejos de estimas.

Pois mesmo que de improviso,
-- Qual oráculo os bandarras --
Já nos põem de sobreaviso
E alumiam onde é preciso
À maneira de gambiarras.

Betim - 08 11 2017