O leito é um jardim de preguiça,
Alfombra onde amar não é proibido.
É relva onde o desejo brota e viça,
E o amor não deve ser contido.

Ele abre meus braços em cruz,
Prende minhas mãos em vertigem,
E sobre mim crucifica-se em luz
Impregnando-me de amor virgem.

Viaja dentro de mim, no meu sangue.
No céu estrelas acendem e se apagam,
E neste momento em que estou exangue
Vejo anjos que ao meu redor vagam.

Deu-me um prazer longo e profundo.
Nossas bocas se uniram com carinho,
Adormecendo nossas línguas no fundo
De nossas gargantas como num ninho.

E nossas peles, chorando em lamentos,
Umedeceram os lençóis decorados,
Na ânsia e loucura desses momentos
Somos livres, seres purificados.

Maria Hilda de J. Alão