Em quatro quintetos de translações,
Uma frígida alma era a minha; sozinha,
Tanto a esperar a benção nas tribulações,
E vazia, gemia, rangia; pobre, ó alma minha!

Ah, clamei à Terra, e ela, mórbida, zombou,
Mas ao Fogo estendi a mão, que em escárnio queimou,
Outrora gritei aos Ventos e eles não me viram,
Minhas súplicas rendi ao Mar: suas ondas me feriram!

Ah, mas Deus, aos elementos calou e me amou,
Inefável, desceu a mim em piedade,
Soprou e fez surgir a metade,
Que em mim sempre faltou...

Uno-me a ti, ó dama, indefinível é a beleza dos olhos teus,
E que lindas curvas delineam teu corpo escultural,
Teus doces vívidos lábios tocam os meus,
Um prazer que sinto é colossal!

Dou-me: amo-te, amo-te, amo-te, deusa graciosa,
Oh amor, venero os dias que estás ao meu lado,
A mim pertences por eterno estado,
Minha, somente minha donzela formosa,
Ouro vivo é tua vida para mim,
Respiro você para sempre, até o fim!