Quantas perguntas fazemos ao longo da vida? Já fizemos inúmeras até este momento. Pisamos em solos diversos a fim de encontrar respostas. Alguns com solidez, facilitando a caminhada. Outros com variações, pedras soltas que nos fez deslizar. Além de pântanos e lamaçais, sob os quais estavam chaves que abriram as portas douradas do saber. Um saber que não está sempre atrelado ao científico. Mas que ultrapassa o senso da razão. O lógico perde o sentido.
Na vida são essas perguntas, as que julgamos ter uma resposta, que nos causa surpresas. É como o capitão que pensa conhecer a rota que o levará a seu destino, contudo ele sabe que o mar jamais se repete. As interrogações nos traz mais que noites de insônia. Nos traz o riso das fadas, a cor do invisível a vida dos pinceis. Nessa imensa tela branca cabe a nós retratar o concreto, dar vida e viver o abstrato. Quantos mistérios há em um sorriso? E quantos enigmas criamos para eles?
Perder-nos em perguntas, eis um destino inevitável. Encontrar-nos nos lábios do ser desejado, eis um fim esperado. Lábios que falam de amor, de onde jorram palavras de vida. Pintar no quadro de quem se deseja não somente paisagens. Pintar o vazio. Sim... o nada! A ausência. Assim, quando quem amamos olhar para aquela tela se perguntará: por quê? Por que você não está ali? Por que não deixou algo visível? No vazio há um traço. O da interrogação. Essas perguntas camufladas sob as cores do “nada” aproximará o amante do amado. Olhamos para nossa tela, nos perdemos no vazio que outro pintou, mas o encontramos em um lugar negligenciado até então. Sua presença efetiva não está apenas no sentimento da ausência, ou na autoria da arte, mas sim na moldura. Corremos nossos olhos pela tela, e vemos que ela se mantém imponente graças a essa moldura.
Acordar em um mundo de cores sem nomes. Enxergar o real no abstrato e o abstrato no real. O viver a noite durante o dia, assistir o espetáculo do sol durante a noite. Impossível? Loucura? Devaneio? Não! Nesta tela tudo é possível quando partimos de uma pergunta. Ousar a questionar sem temer os resultados é virtude de quem vive! A tela vazia está mesma sem cores, sem tom e sem vida? A minha não! Na ausência das cores está a presença da saudade. O Brilho oculto do sorriso da fada das cores.